Israel iniciou a transferência de prisioneiros palestinos que serão trocados por reféns do Hamas, em acordo mediado por Donald Trump. O plano prevê a libertação de 47 reféns em troca de 1.950 detentos. O cessar-fogo temporário permitiu o retorno de milhares de palestinos a Gaza, agora em ruínas após dois anos de guerra.
Israel começou a transferir os presos palestinos que deverão ser trocados por reféns do Hamas, informou o governo neste sábado (11). A movimentação ocorre horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que os sequestrados estavam sendo reunidos na Faixa de Gaza pelo grupo islâmico.
De acordo com o Serviço Prisional de Israel, milhares de agentes de segurança participaram da transferência dos detidos durante a noite, levando-os às prisões de Ofer, na Cisjordânia, e Ketziot, no deserto de Negev. Eles permanecerão sob custódia até que o governo israelense autorize a continuidade da operação, prevista para ocorrer nos próximos dias.
A ação faz parte do acordo de paz de 20 pontos proposto por Trump, que prevê a libertação dos 47 reféns restantes — vivos e mortos — em troca da liberação de 250 prisioneiros palestinos e 1.700 moradores de Gaza detidos desde o início do conflito. “Acho que há consenso sobre a maior parte do acordo, e alguns detalhes serão resolvidos. O importante é que o processo de paz começou”, declarou o republicano, que deve viajar ao Egito, onde as negociações foram conduzidas.
Familiares aguardam ansiosos pelo desfecho. “Estamos muito animados, esperando por nosso filho e por todos os 48 reféns”, disse Hagai Angrest, pai de Matan, um dos israelenses ainda mantidos em cativeiro.
Mesmo com o avanço diplomático, pontos críticos seguem em aberto, como o desarmamento do Hamas e a governança da Faixa de Gaza. Netanyahu insiste que o objetivo de Israel é eliminar o grupo terrorista, enquanto representantes do Hamas afirmam que entregar as armas só será discutido com a criação de um Estado palestino.
Outro desafio é a reconstrução de Gaza, devastada após dois anos de conflito e mais de 20 mil ataques israelenses, segundo o banco de dados Acled. A ONU estima que levará mais de 20 anos para remover as toneladas de escombros deixadas pelos bombardeios e uma década para limpar o território de materiais explosivos.
O cessar-fogo temporário trouxe algum alívio: centenas de milhares de palestinos retornaram à Cidade de Gaza, muitos encontrando apenas ruínas. “Não existe mais nada, só escombros. Todas as lembranças viraram poeira”, lamentou Raja Salmi, moradora que caminhou 15 quilômetros para rever sua casa destruída.
Enquanto isso, a ONU coordena o envio de 170 mil toneladas de ajuda humanitária, incluindo alimentos, remédios e combustível. “As necessidades básicas continuam urgentes em Gaza. Dois milhões de pessoas enfrentam o inverno sem abrigo”, alertou Jacob Granger, da organização Médicos Sem Fronteiras.
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