O jovem jogador Tahirys dos Santos, sobrevivente de um incêndio que matou 40 pessoas na Suíça, quebrou o silêncio sobre a tragédia. Com 30% do corpo queimado, ele detalhou os momentos de pânico para salvar a namorada e afirmou que sua prioridade agora é a reabilitação física, deixando o futebol em segundo plano.

Tahirys dos Santos ficou gravemente ferido no incêncio. Foto: Reprodução/Instagram
Tahirys dos Santos ficou gravemente ferido no incêncio. Foto: Reprodução/Instagram

O jogador francês Tahirys dos Santos, de 19 anos, que atua nas categorias de base do FC Metz, foi um dos sobreviventes de um grave incêndio durante uma festa de Ano Novo em um bar localizado em um resort de esqui na Suíça, que tirou a vida de 40 pessoas.

Pouco mais de um mês depois do acontecimento, Tahirys falou pela primeira vez sobre a tragédia em entrevista para a revista francesa Paris Match. O jogador, que teve 30% do corpo queimado, deu detalhes da noite.

“Chegamos por volta da 00h30-01h00. Descemos porque a minha namorada queria ir ao banheiro. E aproveitei para ir também. Como saí antes, fui em direção ao primeiro andar, onde iria aguardá-la. Mas foi neste momento que eu vi o fogo. Tudo aconteceu muito rápido, eu nem pensei direito”, contou.

Desesperado, Tahirys relatou que foi em busca de sua namorada. “Fui até o banheiro e encontrei-a. Corremos pelas escadas. Depois disso, só sei que apaguei, não me lembro de mais nada. Ouvia muitos gritos, havia uma multidão em movimento, toda a gente corria para a saída e havia apenas escadas”, seguiu o jogador contando sobre a noite de desespero.

“Formou-se uma aglomeração. Não me lembro por onde saí, mas quando estava lá fora, sentei-me no chão. Estava como que paralisado. Não conseguia mexer-me. Estava muito preocupado com os meus amigos. Não sabia se eles tinham conseguido sair ou não. Foi depois disso que fui socorrido”.

Após um mês da noite trágica, Tahirys dos Santos contou que vem se sentindo melhor. Mas que, neste momento, seu foco único é sua reabilitação e que não pensa em voltar a jogar futebol agora.

Futebol ficou em segundo plano

“Sinto-me muito melhor desde o primeiro dia. Ainda tenho queimaduras nos braços, nas mãos, no rosto e também nas costas. No início, não quis olhar [ao espelho] para não me preocupar, mesmo sabendo que o meu rosto tinha sido atingido e que me tinham cortado o cabelo. Não quis ver-me diretamente. Eu disse a mim mesmo: ‘Estou vivo, isso é o mais importante. A aparência física vem depois”, disse.

“Não estou muito concentrado no futebol. O mais importante é recuperar bem. Estou concentrado primeiro na minha reabilitação para voltar a usar bem as mãos, voltar a andar bem e depois veremos, veremos mais tarde”, finalizou.

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