Após quase uma semana no IML, o corpo de Leonardo Henrique da Silva Torres, de 26 anos, foi liberado nesta sexta (29) para velório. Ele foi assassinado a facadas no último sábado (23).
A família nega ligação do jovem com facções criminosas e afirma que o crime foi um latrocínio, já que celular, dinheiro e joias desapareceram e até transferências via PIX foram feitas após a morte. Para os familiares o crime é considerado um latrocínio (roubo seguido de morte).
Somente nesta sexta (29) a família de Leonardo Henrique da Silva Torres (foto / redes sociais), de 26 anos, conseguiu se despedir do rapaz assassinado a facadas em Campo Grande (MS).
O crime ocorreu na madrugada do último sábado (23), mas o corpo permaneceu quase sete dias no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) antes de ser liberado para o velório.
Contestação à versão da polícia
A família de Leonardo contesta a suspeita inicial de envolvimento do jovem com facções criminosas e sustenta que ele foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Segundo os parentes, ele foi encontrado sem seus pertences pessoais, como dinheiro, celular, joias e acessórios.
A irmã da vítima, Dayana Silva, disse ter levado novas informações à delegacia sobre os passos do irmão antes do crime. Ela afirma que Leonardo portava objetos de valor e que parte do dinheiro chegou a ser transferida via PIX após a morte.
“Nada foi encontrado com ele. Só em PIX, mais de R$ 1 mil foram retirados. Meu irmão era vaidoso e trabalhador, não tinha ligação com o crime”, declarou Dayana.
O pai, Raphael Müller, também desabafou durante o velório.
“Seguraram meu filho sete dias no IML. Levaram o dinheiro dele, levaram tudo. Depois de morto ainda pediram PIX para o patrão. Isso foi latrocínio. Meu filho não era bandido, era trabalhador, cuidava da família”, disse o pai, emocionado.
Um amigo da família presente no velório também deu seu depoimento sobre o jovem morto.
“Trabalhador, não era de facção”, comentou.
Depoimentos e versões conflitantes
A Polícia Civil prendeu um casal suspeito do assassinato. Talia Loraine de Oliveira foi localizada em uma casa próxima ao local do crime, enquanto Maikon Aparecido Oliveira Bezerra da Silva, conhecido como “Di Menor”, foi encontrado pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações). Ele já usava tornozeleira eletrônica.
Os dois apresentaram versões divergentes. Maikon alegou que Talia iniciou as agressões e que ele apenas “acompanhou”, mas depois silenciou em depoimento formal. Já Talia confessou as facadas, alegando ter agido em legítima defesa. Ambos foram autuados por homicídio qualificado e aguardam audiência de custódia.
Segundo o boletim de ocorrência, a motivação teria sido uma foto no celular de Leonardo, em que ele fazia gesto associado a uma facção criminosa. O registro das agressões foi feito em vídeo. Apesar disso, a família insiste que se tratou de um assalto, já que nada foi recuperado e até transferências financeiras foram feitas após a morte. Leonardo levou cerca de 10 facadas.
Velório marcado pela revolta
O velório reuniu familiares e amigos que destacaram o perfil trabalhador e querido de Leonardo.

Leonardo (redes sociais)
O patrão dele, Lúcio Brandão Leal, o descreveu como um jovem dedicado, presente em sua rotina pessoal e profissional.
“O Léo era excepcional, pontual, respeitador e querido por todos. Virou parte da minha família. Esse era o Léo que todos conheciam”, afirmou Lúcio.
Enquanto as investigações continuam, os parentes de Leonardo seguem cobrando justiça e pedindo que a morte seja oficialmente tratada como latrocínio.
