Adolescentes brasileiros estão iniciando a vida sexual mais tarde, segundo dados recentes do IBGE. Apesar da redução no número de jovens que já tiveram relações, especialistas alertam para a queda no uso de preservativos, o que mantém riscos de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez precoce.
A iniciação sexual entre adolescentes brasileiros tem ocorrido cada vez mais tarde, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (25). Em 2024, 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram já ter tido relação sexual, número inferior aos registrados em 2019 e 2015.
O levantamento mostra uma redução de 5 pontos percentuais em relação a 2019 e de 7,1 pontos na comparação com 2015. A tendência de adiamento foi observada tanto entre meninos quanto entre meninas, embora os índices ainda sejam maiores entre o público masculino (34,1% contra 26,8%).
Segundo os pesquisadores, fatores sociais, familiares e educacionais influenciam diretamente esse comportamento. O tipo de escola, por exemplo, aparece como um dos principais indicadores: 32,7% dos alunos da rede pública já tiveram relação sexual, enquanto na rede privada o índice é de 18,3%.
Gravidez precoce ainda preocupa
Apesar do adiamento da vida sexual ser considerado positivo, a pesquisa aponta que a gravidez na adolescência ainda é uma realidade significativa, principalmente entre jovens em situação de maior vulnerabilidade social.
Em 2024, cerca de 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já haviam engravidado ao menos uma vez — o equivalente a 7,3% das que iniciaram a vida sexual. A grande maioria desses casos está concentrada na rede pública de ensino.
Uso de preservativos diminui
Outro dado que chama atenção é a queda no uso de preservativos. Apenas 61,7% dos adolescentes disseram ter utilizado camisinha na primeira relação sexual, número menor do que o registrado em 2019. Na última relação, o índice também caiu, passando de 59,1% para 57,2%.
Especialistas alertam que a redução no uso de proteção pode aumentar os riscos de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada, mesmo com o início mais tardio da vida sexual.
Falta de orientação influencia comportamento
O estudo também destaca que a ausência de educação sexual adequada nas escolas está diretamente relacionada ao comportamento de risco entre adolescentes. Jovens que não recebem orientação tendem a iniciar a vida sexual mais cedo e com menos proteção.
A pesquisa reforça a importância de políticas públicas voltadas à educação sexual e ao acesso à informação, como forma de reduzir riscos e promover a saúde entre os jovens.
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