O que rolou no 2º dia do julgamento de Bolsonaro no STF

  • Heleno: defesa nega envolvimento no plano golpista e chama Moraes de “juiz inquisidor”.

  • Bolsonaro: advogado diz que não há provas de crime e pede absolvição; Mauro Cid é chamado de “inconfiável”.

  • Paulo Sérgio Nogueira: defesa afirma que o general tentou evitar adesão de militares ao golpe e buscou minimizar falas polêmicas.

  • Braga Netto: advogado alega inocência, critica excesso de documentos e diz que delação de Cid é inválida.

  • Encerramento: Zanin suspende julgamento, que retorna na terça (9) com a votação dos ministros.

Julgamento de Bolsonaro (Foto: Divulgação/STF)
Julgamento de Bolsonaro (Foto: Divulgação/STF)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta quarta-feira (3) que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pela trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O julgamento será retomado na próxima semana, na terça-feira (9), às 9h, com o voto do relator Alexandre de Moraes, ele vai anunciar se decide pela condenação ou absolvição dos réus. Neste dia, o julgamento tem previsão de término às 19h.

Resumo do 2º dia do julgamento de Bolsonaro no STF

  • Defesa de Augusto Heleno abriu a sessão negando qualquer participação do ex-ministro em um plano golpista.

O advogado Matheus Mayer Milanez criticou a forma como a Polícia Federal disponibilizou provas e questionaram a conduta do ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de “juiz inquisidor”.

A defesa também destacou que Heleno se afastou de Bolsonaro quando o ex-presidente se aproximou do Centrão.

Sobre o documento que previa um “gabinete de crise” com Heleno, os advogados afirmaram: “Só porque no papel está escrito que ele seria o chefe do gabinete de crise significa que ele participou, que ele estava envolvido? O papel aceita tudo”.

  • Defesa de Jair Bolsonaro, representada por Celso Vilardi e Paulo Bueno, iniciou em seguida.

O advogado afirmou que não há provas de que o ex-presidente atentou contra o Estado Democrático de Direito.

Criticou o pouco tempo para análise das provas e tentou descredibilizar a delação de Mauro Cid, chamando-o de “inconfiável” por mudar versões diversas vezes.

Encerrando sua fala, disse: “É indiscutível que o presidente, em momento algum, deu início aos protocolos para convocação dessas medidas excepcionais [de estado de sítio]”, pedindo a absolvição.

  • Defesa de Paulo Sérgio Nogueira, feita por Andrew Fernandes Farias, sustentou que o general não foi omisso diante das manifestações golpistas.

Afirmou que ele buscou evitar a adesão dos militares e tentou minimizar declarações polêmicas sobre a fiscalização das urnas eletrônicas.

  • Defesa de Walter Braga Netto, conduzida por José Luis Oliveira Lima, alegou inocência do ex-ministro da Defesa.

Criticou o cerceamento de defesa, afirmando que a acareação entre Braga Netto e Mauro Cid não foi gravada e que o excesso de documentos prejudicou a análise.

Questionou a validade da delação de Cid, alegando falta de voluntariedade: “Ouvi atentamente quando o réu colaborador afirmou que fez o acordo tranquilo, de livre e espontânea vontade. Nesses autos, o que menos existiu foi a voluntariedade”.

Rebateu também a acusação de que Braga Netto teria recebido dinheiro para financiar o plano golpista: “É essa fala que vai por na cadeia o meu cliente por mais de 20 anos, 30 anos? É com essa mentira, com esse vai e volta que o meu cliente vai permanecer na cadeia e vai morrer no cárcere?”.

  • Encerramento: O ministro Cristiano Zanin suspendeu o julgamento, que será retomado na próxima terça-feira (9) com os votos dos ministros.

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