A juíza Renata Nacagami, da 5ª Vara das Garantias de Aparecida de Goiânia, determinou o arquivamento do inquérito aberto contra Carlinhos Maia após a polêmica do “brisadeiro”. A decisão, de 19 de junho, encerra uma investigação de seis meses com um argumento direto: o suposto ingrediente ilícito jamais foi apreendido, e sem isso não existe crime a apurar.

Carlinhos e Virginia (Reprodução/Redes Sociais)
Carlinhos e Virginia (Reprodução/Redes Sociais)

A Justiça de Goiás arquivou o inquérito policial aberto contra Carlinhos Maia por causa do episódio do “brisadeiro”. A decisão foi assinada no último dia 19 pela juíza Renata Nacagami, da 5ª Vara das Garantias de Aparecida de Goiânia (GO), que concedeu o habeas corpus pedido pela defesa do influenciador e determinou o encerramento imediato da investigação.

Carlinhos Maia depõe na polícia sobre drogas em festa de Virginia e alfineta influenciadora (Foto: Redes Sociais)

Carlinhos Maia depõe na polícia sobre drogas em festa de Virginia e alfineta influenciadora (Foto: Redes Sociais)

O caso teve início em dezembro de 2025. Segundo informações publicadas pelo G1, Carlinhos Maia relatou publicamente que havia comido um brigadeiro que, segundo lhe disseram, teria sido feito com maconha durante a festa de Natal promovida por Virginia Fonseca e Vini Jr., em Goiânia. O relato viralizou nas redes sociais e uma vereadora de Porto Alegre, que não teve o nome revelado pela polícia, levou o fato ao Ministério Público de Goiás, que requisitou a abertura do inquérito. A investigação foi formalmente instaurada em 26 de março de 2025, três meses depois.

A substância que Carlinhos afirmou ter consumido jamais foi apreendida. Não há laudo pericial, exame toxicológico ou qualquer análise técnica nos autos. Para a juíza, esse vazio inviabiliza os crimes investigados: uso de drogas, oferecimento a terceiro e apologia. A decisão cita o artigo 158 do Código de Processo Penal e jurisprudência do STJ para afirmar que confissão, por si só, não substitui prova técnica nesses casos.

Empresária fala sobre ser ‘cortada’ de vídeo de Carlinhos Maia (Foto: Redes Socais)

Ao longo da investigação, Carlinhos foi à delegacia em maio e prestou depoimento ao delegado Marcelo Fernandes. Afirmou que recebeu o doce de um desconhecido entre os convidados da festa de Natal de Virginia Fonseca e Vini Jr., em Goiânia, e que só soube do suposto ingrediente depois de comer. Confirmou ter oferecido parte do doce ao influenciador Lucas Guedez. Este também depôs e negou ter consumido qualquer coisa, afirmando que recusou na hora. A investigação ainda previa a oitiva de apresentadores de televisão, outros influenciadores e uma cantora de projeção nacional. Nenhum desses depoimentos chegou a acontecer. Segundo a sentença publicada no portal do Tribunal de Justiça de Goiás, o tempo para produzir qualquer prova técnica sobre a substânciase encerrou muito antes de o inquérito ser formalmente aberto.

Carlinhos Maia - Bacci Notícias

Foto: Reprodução

A juíza também descartou o crime de apologia. Para a magistrada, os vídeos analisados mostram o relato de uma experiência pessoal, não o enaltecimento ou o incentivo ao uso de drogas por terceiros, que é o que o tipo penal exige. Em um dos trechos, o próprio Carlinhos afirma que não é usuário de drogas e que errou ao comentar publicamente o que aconteceu na festa de outra pessoa.

O inquérito está encerrado e a autoridade policial foi notificada para cumprimento imediato da decisão.

 

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