A situação do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como agente de inteligência que usava documentos brasileiros falsos, avançou nas últimas semanas. Manifestações recentes da Justiça Federal e do Ministério Público Federal informaram que não existem mais pendências judiciais que impeçam a extradição dele para a Rússia.
A situação do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como agente de inteligência que usava documentos brasileiros falsos, avançou nas últimas semanas. Manifestações recentes da Justiça Federal e do Ministério Público Federal informaram que não existem mais pendências judiciais que impeçam a extradição dele para a Rússia.
Cherkasov está preso desde 2022 e cumpre pena de cinco anos por falsidade ideológica em um presídio federal em Brasília. Agora, a decisão sobre sua entrega depende apenas da Presidência da República, já que casos de extradição precisam de autorização do chefe do Executivo. Segundo uma fonte ouvida pela BBC News Brasil, o assunto ainda não chegou oficialmente ao presidente.
Ele é acusado pela Polícia Federal e pelo FBI de integrar uma rede de agentes russos que adotavam identidades brasileiras para atuar no exterior. Cherkasov teria chegado ao Brasil em 2010, obtido diversos documentos legítimos e usado essa cobertura para estudar e circular em universidades nos Estados Unidos e na Europa. Ele nega ser espião.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que varas federais em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal consideraram não haver mais obstáculos ao envio do russo ao seu país natal. Uma decisão recente confirmou a ordem de entrega, já autorizada pelo Supremo Tribunal Federal desde 2023.
A expectativa, segundo apuração da BBC, é de que Cherkasov deixe o Brasil em um avião disponibilizado pelo governo russo. Ainda não há data marcada.
O caso segue em meio a disputas diplomáticas. Em 2023, os Estados Unidos também pediram a extradição do russo, alegando crimes cometidos em território americano. O pedido, porém, não avançou porque o pedido russo já havia sido homologado pelo STF.
Investigações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa apontam que Cherkasov faria parte de um grupo de “ilegais”, agentes treinados para viver como cidadãos comuns em países estrangeiros e colher informações estratégicas. Pelo menos outras oito pessoas teriam usado documentos brasileiros falsos como parte desse esquema.
De acordo com as autoridades brasileiras, os agentes não atuavam para obter dados sobre o Brasil. A identidade brasileira serviria apenas como disfarce confiável para facilitar deslocamentos e acesso a instituições no exterior.