A Justiça negou prisão domiciliar à veterinária presa por incendiar o marido em Campo Grande. Em depoimento, ela afirmou que queria apenas assustá-lo para que confessasse uma suposta traição. A vítima sofreu queimaduras em 30% do corpo e permanece internada em estado grave.
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido de prisão domiciliar feito pela médica veterinária presa por atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos, durante uma discussão ocorrida no dia 22 de junho, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.

Reprodução | Campo Grande News (Maya Severino)
Com a decisão da 1ª Vara do Tribunal do Júri, a Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, permanecerá presa preventivamente.
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Justiça negou prisão domiciliar
Na decisão, o magistrado rejeitou o pedido da defesa para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar ou por outras medidas cautelares.
“Em face do exposto, indefiro o pedido de substituição da prisão preventiva por domiciliar ou outras cautelares formulado”, diz o trecho da decisão.
Mulher ateou fogo no próprio marido
O crime aconteceu dentro da residência do casal e foi presenciado pelos dois filhos, de 9 e 22 anos. A vítima sofreu queimaduras em aproximadamente 30% do corpo e permanece internada em estado grave no Hospital Proncor, onde está intubada.
Presa em flagrante, a veterinária passou por audiência de custódia na terça-feira (23). Em depoimento à polícia, afirmou que suspeitava de uma suposta traição do marido e queria que ele confessasse um possível relacionamento extraconjugal.
Segundo Lidiane, a discussão começou ainda durante a madrugada e foi retomada na manhã do crime. “Estávamos discutindo sobre a possibilidade de um relacionamento dele em Brasília e ele estava negando. Eu queria que ele me dissesse a verdade. Foi só por isso que retomamos a discussão”, afirmou.
Veterinária utilizou frasco de álcool
Ela contou que, durante o desentendimento, pegou um frasco de álcool de limpeza que estava na cozinha e despejou parte do líquido sobre a mochila do marido, alegando que sua intenção era destruir apenas os pertences dele.
Lidiane negou, porém, ter colocado fogo diretamente no companheiro.
“Eu não joguei fogo nele. Joguei parte do álcool na mochila, porque era a mochila com os pertences dele que eu queria queimar. Acho que, nesse movimento, a roupa dele pode ter ficado encharcada de álcool”, declarou.
Susto durante o incêndio
A veterinária também afirmou que correu atrás do marido segurando um maço de cigarros e um isqueiro escondido dentro do casaco, alegando que pretendia apenas assustá-lo.
“Eu quis assustá-lo com o barulho do isqueiro. Ele não acendeu. Achei que não tinha acontecido nada. Só depois percebi que a camiseta dele estava mudando de cor e tentei rasgá-la para tirá-la”, relatou.
Após o início do incêndio, o casal entrou em luta corporal tentando apagar as chamas. Em determinado momento, o servidor conseguiu retirar a camiseta em chamas. A filha mais velha do casal chegou ao local e, segundo a investigada, teria acionado uma mangueira para ajudar a conter o fogo.
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Veterinária revelou arrependimento
Ainda conforme o depoimento, a veterinária levou o marido inicialmente a um hospital particular e, posteriormente, pagou uma ambulância para transferi-lo ao Hospital Proncor, onde ele permanece internado.
A investigada afirmou estar arrependida e disse que jamais teve a intenção de provocar ferimentos graves no companheiro.
“É claro que eu me arrependo. Eu não queria machucá-lo. Achei que esse seria o único jeito de ele falar a verdade. Pensei que, se eu o ameaçasse, ele ficaria com medo e abriria o jogo. Minha intenção era assustá-lo, não colocar fogo nele”, declarou.
Homem segue hospitalizado
Durante o interrogatório, a médica veterinária também informou que faz tratamento para depressão e para Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), mas revelou que estava sem utilizar os medicamentos havia cerca de 15 a 20 dias antes do crime.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, enquanto o servidor permanece hospitalizado sob cuidados médicos.
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