A Justiça da Paraíba decidiu arquivar o inquérito sobre a morte de Gerson de Melo Machado, jovem de 19 anos que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa. A decisão acompanhou o entendimento do Ministério Público de que não houve crime no episódio, ocorrido em novembro de 2025.

Justiça toma decisão sobre inquérito de morte em zoológico após jovem invadir jaula de leoa
Justiça toma decisão sobre inquérito de morte em zoológico após jovem invadir jaula de leoa

A Justiça da Paraíba determinou o arquivamento do inquérito que investigava a morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, após ele invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa.

A decisão foi assinada nesta quarta-feira (11) pela juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, da 1ª Vara Regional das Garantias, e seguiu o parecer do Ministério Público da Paraíba.

No entendimento do órgão, houve “atipicidade da conduta”, ou seja, não houve crime a ser investigado no caso.

Investigação

De acordo com as apurações da Polícia Civil da Paraíba, o jovem entrou voluntariamente no recinto do animal. Testemunhas relataram que ele ignorou alertas de guardas municipais e de visitantes do parque. Para chegar até a área da leoa, Gerson escalou barreiras de proteção e utilizou uma árvore para acessar o espaço onde estava o animal.

O laudo cadavérico apontou que a causa da morte foi “choque hipovolêmico”, provocado por perda severa de sangue após as mordidas da leoa.

Um relatório técnico do IBAMA também foi analisado durante o processo. O documento apontou que o recinto atendia às normas de segurança, com muros de cerca de oito metros de altura e telas inclinadas para evitar fugas ou invasões.

Biólogos e tratadores do parque também prestaram depoimento e confirmaram a regularidade das instalações e do manejo do animal.

Situação da vítima

Durante a investigação, uma conselheira tutelar que acompanhava Gerson de Melo Machado informou que ele vivia uma situação de vulnerabilidade psíquica.

Segundo o relato, ainda na infância o jovem foi afastado da mãe, diagnosticada com Esquizofrenia, mesma condição de saúde mental da avó materna. Na adolescência, ele também recebeu o diagnóstico da doença e foi avaliado com deficiência intelectual.

Com base nessas informações, a Justiça concluiu que houve “culpa exclusiva da vítima”, o que rompe o nexo de causalidade necessário para responsabilizar terceiros ou o governo estadual pela morte.

Relembre o caso

O ataque aconteceu em 30 de novembro de 2025, durante o horário de funcionamento do zoológico.

Segundo a prefeitura de João Pessoa, o jovem escalou uma parede de mais de seis metros, passou pelas grades de proteção e utilizou uma árvore para acessar o espaço da leoa, chamada Leona.

Logo depois, ele foi atacado pelo animal diante de visitantes. O momento chegou a ser gravado por pessoas que estavam no local.

De acordo com o veterinário do parque, Thiago Nery, após o ataque a leoa ficou estressada e em estado de choque, mas respondeu aos comandos de treinamento e pôde ser contida sem o uso de armas ou tranquilizantes.

A prefeitura lamentou o ocorrido e afirmou que o parque segue as normas técnicas de segurança.

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