O assassinato de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral de São Paulo, nesta segunda-feira (15), reforça um antigo alerta das autoridades. Há seis anos, a cúpula do PCC, liderada por Marcola, havia jurado Fontes de morte em retaliação às investigações que comprometeram líderes da facção.

Ruy Fontes e Marcola (Foto: Reprodução)
Ruy Fontes e Marcola (Foto: Reprodução)

O assassinato de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral de São Paulo, nesta segunda-feira (15), reforça um antigo alerta das autoridades. Há seis anos, a cúpula do PCC, liderada por Marcola, havia jurado Fontes de morte em retaliação às investigações que comprometeram líderes da facção.

Documentos obtidos pelo Ministério Público de São Paulo revelam que a ordem de execução constava em uma carta apreendida apenas em 2023, na qual a cúpula do PCC listava o ex-delegado como alvo prioritário, junto a outros investigadores que atuaram no combate ao crime organizado.

A correspondência deixava explícito que a retaliação era motivada pela transferência de líderes do PCC para presídios federais, medida que enfraquecia o controle da facção dentro do sistema prisional estadual.

Na denúncia apresentada à Justiça, a promotora Silvia Vieira Marques detalhou que Ruy Ferraz Fontes, por ter indiciado os líderes da facção no início dos anos 2000 por formação de quadrilha, tornou-se um dos principais inimigos do comando criminoso. A investigação identificou ainda os agentes designados para cumprir a ordem de atentado contra ele, reforçando a gravidade e a premeditação da ameaça que culminou anos depois em sua morte.

Leia a carta na íntegra:

“Viemos através desse salva passar direção referente os trampos que foram passados a nossos irmãos do quadro disciplinar e ainda não foram concluídos.

Em primeiro lugar, deixar claro que todas as missões que foram passadas para nossos irmãos são de interesse da família e não de interesse individual.

A sintonia geral vem cobrando o resultado dos trampos passados para nossos irmãos da zona leste e ABC contra os vermes que vem prejudicando o andamento dos trabalhos da família.

Irmãos responsáveis: Lixo, Morto, Pita e Tito. Missão: Wagnão da DISE (Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes) de São Bernardo do Campo.

Disciplina Cidade Tiradentes Irmãos responsáveis: Koringa, Mimo, Barata, Terere, Corintiano. Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes.

Apoio dos 14 Irmãos responsáveis: Oreia de Guaianazes, Jagunço Favoy, Irmão R, Casinha do Bonifácio. Missão: Investigador Saudo do prédio.

Em cima dessa caminhada, a sintonia deixa ciente que se não foi concluída cada missão, a cobrança com nossos irmãos será à altura, pagando com a própria vida.

Deixando claro que os interesses do comando estão à frente de qualquer outro.

Está determinado, que seja feito de bate pronto esses trampos.

Um forte abraço a todos.

Seguiremos incansavelmente.

Sintonia Geral.”

Morte de Ruy Fontes

Conhecido por atuar no combate da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Ruy foi vítima de uma emboscada na noite de segunda-feira (15), em Praia Grande, litoral paulista. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele tentou fugir dos criminosos, mas perdeu o controle do carro e capotou após bater em um ônibus.

Veja o momento em que tudo aconteceu:

Fontes revelaram com exclusividade ao BacciNotícias as hipóteses para a execução:

  1. Ligação com o PCC
  2. Disputa em contratos da Prefeitura

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