Antônio de Jesus Cabral, apontado como líder de quadrilha de hackers de concursos, foi preso em SP, na 25 de Março. A prisão gerou “confusão” judicial: a defesa alega que o mandado de prisão de 2022, que o tornava foragido, foi revogado, mas permaneceu ativo no BNMP. A juíza manteve a prisão até o esclarecimento da Vara de Niterói, que deve ocorrer a partir de segunda-feira.
O suposto líder do Comando Vermelho foi preso nesta quinta-feira na Rua 25 de Março, centro de São Paulo, depois de escapar de uma megaoperação policial no Rio de Janeiro contra o crime organizado. A prisão ocorreu em meio a uma verdadeira lambança judicial, já que o pedido de prisão preventiva havia sido revogado em 2022, segundo a defesa, criando um nó nos sistemas do Judiciário fluminense.
Antônio de Jesus Cabral, de 40 anos, é apontado como cabeça de uma quadrilha de hackers que fraudava concursos públicos. O esquema oferecia cursos com acesso antecipado a conteúdos sigilosos, causando prejuízo estimado em R$ 70 milhões.
Em 2022, Cabral foi condenado a 14 anos e oito meses de prisão pela 1ª Vara Criminal de Niterói por associação criminosa, violação de direitos autorais e lavagem de dinheiro. Mesmo com mandado expedido em julho daquele ano, a defesa afirmou que a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza revogou a ordem logo após a emissão, o que gerou confusão nos registros judiciais.
O mandado continuou ativo no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), tornando Cabral foragido até ser identificado pelas câmeras do Smart Sampa e detido por agentes da Inspetoria de Operações Especiais (IOPE).
Já na audiência em São Paulo, a juíza Arielle Escandolhero Martinho destacou haver “informações conflitantes” no BNMP, com dois mandados diferentes relacionados ao mesmo caso. Ela decidiu manter a prisão enquanto aguarda esclarecimento da vara de origem em Niterói.
Confusão
A defesa de Cabral aponta que existe uma “confusão” no Judiciário do Rio, possivelmente pela falta de baixa no mandado pelos órgãos responsáveis. O advogado explicou que os números dos mandados são diferentes nos sistemas, mas provavelmente se referem à mesma decisão, o que precisa ser confirmado pela 1ª Vara Criminal de Niterói.
Com o feriado do Dia do Servidor Público transferido para sexta-feira, o esclarecimento só poderá ocorrer a partir da próxima segunda-feira. A defesa aguarda contato com a vara de origem para definir a estratégia, buscando a soltura do acusado.
Por fim, o advogado nega qualquer ligação de Cabral com o crime organizado e atribui a detenção a questões políticas ligadas ao reconhecimento facial em São Paulo. O momento da prisão foi registrado pelas câmeras na região da 25 de Março, movimentando o centro da capital paulista.
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