A ativista Luisa Mell reagiu com críticas contundentes, acusando a primeira-dama de incentivar, ainda que indiretamente, o consumo de animais silvestres e práticas prejudiciais ao meio ambiente. Apesar da polêmica, Janja se pronunciou e afirmou que a carne tinha origem legal, proveniente de um criador autorizado, o que é permitido pela legislação brasileira.

Luisa Mell e Janja (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Redes Sociaisi)
Luisa Mell e Janja (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Redes Sociaisi)

No domingo de Páscoa (5), a primeira-dama Janja publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece preparando uma refeição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gravação chamou atenção após ela mencionar que estava cozinhando carne de paca espécie cuja caça é proibida no Brasil, embora o consumo seja permitido quando a procedência é legalizada.

Janja preparando almoço (Foto: Reprodução)

A publicação gerou repercussão negativa entre internautas, que questionaram a escolha do alimento. Entre as reações, a ativista Luisa Mell que fez críticas à primeira-dama. Nas redes sociais a ativista não poupou nas criticas, nesta terça-feira (7).

Ativista reage e questiona publicação

Luisa Mell reagiu diretamente à gravação divulgada por Janja, a ativista questionou a intenção da publicação e afirmou que o conteúdo pode estimular práticas ilegais, como a caça de animais silvestres. Para ela, a exposição do preparo da carne de paca passa uma mensagem equivocada e incentiva o consumo desse tipo de animal.

“A paca é fundamental porque ela dispersa as sementes, então é muito importante para as nossas florestas. Gente, a criação de animal silvestre em cativeiro é terrível. A gente vive brigando, né, Ibama, contra isso. Porque o animal silvestre não se adapta ao cativeiro. E a paca, gente, ela sofre demais. Sabe por quê? Porque ela não é um animal que vive em grupo. Mas no cativeiro tem que viver em grupo. Então já vai totalmente contra a natureza dela”, disse.

Além disso, criticou a criação de animais silvestres em cativeiro, ressaltando que esses animais não se adaptam bem a esse tipo de ambiente e acabam sofrendo, principalmente por terem hábitos naturais incompatíveis com o confinamento.

Ao final, a ativista demonstrou indignação com a atitude de Janja, ressaltando que esperava uma postura diferente de alguém que se posiciona a favor da causa animal, e classificou a situação como um incentivo indireto a práticas prejudiciais ao meio ambiente.

Repercussão negativa

Diante da repercussão, Janja se pronunciou para esclarecer a origem do alimento e negou qualquer irregularidade. Segundo a primeira-dama, a carne foi recebida de um produtor autorizado, destacando que o consumo é permitido no Brasil quando o produto tem procedência legal e vem de criadouros regularizados pelos órgãos competentes.

A polêmica também despertou o interesse do público sobre as regras envolvendo animais silvestres, aumentando as buscas por informações sobre o tema. No país, a fiscalização é feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que estabelece critérios rigorosos para a criação e comercialização dessas espécies.

Para funcionar de forma legal, os criadouros precisam cumprir uma série de exigências, como licenciamento ambiental, registro oficial, controle sanitário, acompanhamento técnico e comprovação da origem dos animais. Devido a essas regras, o número de estabelecimentos autorizados no Brasil ainda é bastante limitado.

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