Lula afirmou que Tarcísio de Freitas “não é nada sem Bolsonaro” e criticou Romeu Zema, chamando-o de “falso humilde”. Defendeu Rodrigo Pacheco como candidato ao governo de Minas e reforçou que será candidato à reeleição se estiver “100% de saúde”. O presidente também pediu a cassação de Eduardo Bolsonaro e destacou a importância da unidade do PSD e do centrão para a eleição de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que ele “não é nada sem Jair Bolsonaro” e que fará o que o ex-presidente determinar. “Nós temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema direita muito forte. O Tarcísio vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Até porque, sem o Bolsonaro, ele não é nada. Ele sabe disso”, disse Lula nesta sexta-feira (29), em entrevista à rádio Itatiaia. A declaração reforça a pressão por unidade em torno da candidatura de Tarcísio no campo bolsonarista, que ganhou força nas últimas semanas entre integrantes do centrão e do mercado financeiro.
Durante o mesmo evento em Minas Gerais, Lula comentou sobre a candidatura do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) para o governo do estado. O presidente defendeu que Pacheco assuma a disputa eleitoral, destacando que terá papel central na eleição de 2026. “Estou apenas demonstrando um desejo meu, que eu gostaria que fosse aceito pelo Pacheco, porque pelo PT eu já sei que é aceito, mas vai depender dele. Eu gostaria que ele assumisse a responsabilidade, porque ele será governador de Minas Gerais. Eu não tenho dúvida que os adversários dele irão se desmanchar em pó na disputa para a eleição de 2026”, afirmou.
Lula também fez duras críticas ao governador mineiro Romeu Zema (Novo), a quem chamou de “figura caricata” e “falso humilde”. O presidente avaliou que, se Zema mantiver o comportamento que apresentou em programas de TV, poderá sofrer desgaste durante a campanha. “Se ele tiver a performance que ele teve no Roda Viva, vai ser um desastre para ele. Ou ele melhora, deixa de ser o falso humilde e começa a dizer a verdade, ou ele vai ser desmoralizado na campanha”, afirmou. O governador de Minas, que havia convidado Lula para a Cidade Administrativa, sede do governo estadual, optou por não participar dos eventos do presidente para evitar constrangimentos.
Além de comentar sobre aliados e adversários políticos, Lula voltou a tratar do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O presidente defendeu publicamente a cassação do parlamentar, alegando que ele teria traído o país. “Eu já falei com o presidente Hugo Motta, já falei com vários deputados de que é extremamente necessário caçar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo”, disse.
Questionado sobre a sua própria candidatura, Lula reforçou que será candidato à reeleição caso esteja “100% de saúde”, como se encontra atualmente. Sobre as pesquisas eleitorais, o presidente afirmou que ainda é cedo para definir cenários e ressaltou que é preciso “entrar em campo” para observar como se desenrolará a disputa de 2026. O chefe do Executivo também afirmou ter boa relação com Gilberto Kassab, presidente do PSD e secretário de Tarcísio, reforçando que o partido terá papel relevante na composição das eleições.
Ao longo da entrevista, Lula traçou um panorama crítico sobre o campo político adversário e reforçou a necessidade de unidade em torno de aliados estratégicos. O presidente destacou ainda que a definição de candidaturas e alianças será conduzida de forma gradual, acompanhando a evolução do cenário político nacional, especialmente nos estados-chave como São Paulo e Minas Gerais.