Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou insatisfação com medidas do governo dos Estados Unidos que preveem novas taxações sobre produtos brasileiros, possíveis sanções contra o sistema PIX e a classificação de facções como organizações terroristas.

Presidente demonstrou insatisfação com medidas dos EUA (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Presidente demonstrou insatisfação com medidas dos EUA (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta quarta-feira (3) e voltou a comentar a relação comercial com os Estados Unidos, após ameaças de novas taxas serem impostas sobre o mercado brasileiro.

Lula em reunião ministerial no Palácio do Planalto

Lula em reunião ministerial no Palácio do Planalto (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o petista voltou a disparar contra o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que é nascido nos EUA, mas é filho de pais cubanos.

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Lula critica Marco Rubio

Segundo Lula, Rubio é um “latino-americano frustrado”, pela forma como afronta países da América do Sul e Latina, com decisões e sanções administrativas e comerciais.

“Temos alguns posts meus em jornais americanos para mostrar a insensatez da punição [tarifária] ao Brasil. Esse Marco Rubio [Secretário de estado dos EUA] não gosta da América Latina, e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado”, disse.

O presidente relembrou o histórico de relações entre as nações, e defendeu que Brasil e Estados Unidos mantenham uma aliança política e comercial, apesar dos vieses ideológicos distintos. Para Lula, a relação institucional deve permanecer entre as nações.

“É importante que ele saiba que nós conhecemos a história, é importante que eles saibam que nós não queremos guerra, que eles saibam que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos. Queremos fortalecer a relação institucional com os Estados Unidos”, comentou o presidente.

Relações estremecidas mais uma vez

Na última terça-feira (2), o governo norte-americano sugeriu impor uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, sob a justificativa de estar sendo ‘lesado’ nas relações comerciais com o Brasil. Nesta quarta-feira, o país aparece em uma nova lista de países que podem ser alvo de uma sobretaxa de 12,5%.

Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), as nações investigadas falharam tanto na criação de mecanismos legais quanto na fiscalização efetiva para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados.

Risco de interferência externa

Na última semana, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicado classificando como organizações terroristas as facções criminosas mais influentes do Brasil: o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o anúncio, as facções passam a ser consideradas como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas. O governo norte-americano ainda pretende rotular ambas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho deste ano.

A medida desagradou Lula, principalmente por desafiar a soberania brasileira, na perspectiva do presidente. Desde 2025, a Venezuela tem sido alvo de ataques estadunidenses contra diversas embarcações supostamente praticantes de narcoterrorismo no país.

Taxação ao PIX

Outra insatisfação do governo de Donald Trump com o Brasil se relaciona com a atuação do PIX no Brasil, criado pelo Banco Central para ser um sistema de pagamento instantâneo e sem taxas, prejudicando a concorrência de empresas do exterior.

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