Após a rejeição de Jorge Messias, Lula é aconselhado a adiar nova indicação ao STF. Irritado, o presidente critica articulações políticas e amplia a tensão com aliados, incluindo o ministro da Justiça. Nos bastidores, nomes como Bruno Dantas e Daniela Teixeira surgem como possíveis indicados, em meio à pressão por uma mulher na Corte.

Foto: Ricardo Stuckert / PR.
Foto: Ricardo Stuckert / PR.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  foi aconselhado a aguardar a redução da temperatura política antes de indicar um novo nome ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, no entanto, ainda não está tomada.

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Conforme revelou a coluna de Andreza Matais, nos bastidores, Lula demonstrou irritação com a derrota da indicação de Jorge Messias. Em conversas com ministros do Judiciário na última semana, o presidente chamou de “filho da p.” quem mais articulou contra o nome.

Ele avalia que a movimentação não partiu apenas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e ampliou o descontentamento a outros atores que não reagiram ao desfecho.

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Crise interna no governo

A lista de insatisfações inclui o ministro da Justiça, Wellington César, que assumiu o cargo em janeiro no lugar de Ricardo Lewandowski. Segundo relatos, César saiu desgastado por atuar de forma discreta na defesa de Messias — postura que também marcaria sua condução à frente da pasta.

Indicado pelo PT da Bahia, o ministro pode ser substituído como forma de retaliação. Caso a troca se confirme, será a terceira mudança no comando do Ministério da Justiça durante o atual governo, que já teve Flávio Dino e Lewandowski na função.

A instabilidade na área preocupa aliados, sobretudo diante da segurança pública, tema que deve ganhar protagonismo nas eleições. A falta de continuidade nas políticas, agravada por sucessivas trocas, tem dificultado a apresentação de resultados consistentes.

Disputa por vaga no Supremo

Entre os nomes cotados para o STF, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, tem sido mencionado nos bastidores. No entanto, ele tem evitado demonstrar interesse. De forma diplomática, afirma que sua rotina no TCU está mais alinhada ao momento atual — sinalizando cautela diante do desgaste político recente.

Na avaliação de Lula, aliados relatam que o MDB teria atuado contra Messias com o objetivo de abrir espaço para a indicação de Dantas ao Supremo.

Outro nome citado é o da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Apesar de estar no radar, há resistências internas.

Pressão por indicação feminina

Daniela Teixeira surge em meio à crescente pressão para que o presidente indique uma mulher ao STF. Atualmente, dos dez ministros da Corte, apenas uma é mulher: Cármen Lúcia.

Em conversa recente com Lula, Daniela teria afirmado que recebe menos do que colegas no STJ. O presidente chegou a reproduzir a informação, mas foi alertado posteriormente de que a versão não correspondia aos fatos.

Diante do cenário de desgaste e articulações políticas intensas, Lula ainda avalia o melhor momento e o nome mais viável para a próxima indicação ao Supremo.

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