Luma de Oliveira foi citada em e-mails de 2012 trocados entre Jeffrey Epstein e o agente francês Jean-Luc Brunel, revelados em arquivos divulgados pela Justiça dos EUA. A menção ocorre em referência ao antigo relacionamento da ex-modelo com Eike Batista. Autoridades reforçam que aparecer nos documentos não implica envolvimento com os crimes. Os arquivos também mostram interesse de Epstein em agências de modelos brasileiras.

Luma de Oliveira é citada em e-mail vazado de Jeffrey Epstein

A ex-modelo brasileira Luma de Oliveira foi mencionada em uma troca de e-mails entre o magnata americano Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual, e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, em agosto de 2012. Na mensagem, Epstein pergunta: “E a namorada de Eike Batista? Você mencionou isso”. Brunel responde: “Eu citei a Luma de Oliveira, ele era ou é casado com ela”.

Luma e o empresário Eike Batista mantiveram um relacionamento por 13 anos, entre 1991 e 2004. À época da troca de e-mails, em 2012, os dois já estavam separados havia oito anos.

Jean-Luc Brunel foi preso em 2020 no contexto das investigações do caso Epstein, que incluem acusações de estupro, agressão e assédio sexual. Considerado braço direito do magnata, o agente francês foi encontrado morto em sua cela na prisão de La Santé, em Paris, em 2022. O caso foi tratado pelas autoridades como suicídio.

Brunel aparece em mais de cinco mil arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As autoridades e investigadores ressaltam, porém, que ser citado nos documentos não significa, necessariamente, ter qualquer relação com os crimes de Epstein. Outras figuras públicas brasileiras, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro, também já foram mencionadas nos arquivos.

Sobre Lula, o Palácio do Planalto negou que tenha ocorrido qualquer contato com Epstein. “Essa informação não procede. A citada ligação telefônica nunca aconteceu”, afirmou o governo em resposta à CNN Brasil.

Busca por modelos brasileiras
Outra troca de e-mails, de 2016, entre Epstein e um homem identificado como Ramsey Elkholy, revela que o americano buscava adquirir agências de modelos brasileiras para ter “acesso” às mulheres. “Isso envolveria ter acesso a todas as garotas, e você pode decidir o que fazer com elas”, diz uma das mensagens enviadas por Elkholy durante as negociações. Em outro trecho, ele afirma que seria possível levar as modelos para os Estados Unidos, Paris ou Caribe, citando inclusive a existência de uma agência brasileira que cuidaria dos vistos.

Nessa correspondência, aparecem referências a agências como Way Model Management, Ford Models e Elite Model. Outros documentos também indicam que, segundo a acusação apresentada em 2020, modelos brasileiras levadas por Brunel foram interrogadas pela polícia. De acordo com os investigadores, elas eram “funcionárias, namoradas ou garotas que viajavam com ele regularmente, ou garotas que visitavam Epstein vindas de outras cidades ou países”.

Caso Epstein
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou em 30 de janeiro mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens de arquivos ligados à investigação contra Jeffrey Epstein. A liberação do material encerrou meses de tensão entre o governo americano, juízes federais e parlamentares sobre a forma como os documentos seriam tornados públicos.

O governo dos EUA ainda pode fazer ajustes nos arquivos, incluindo a ocultação de informações pessoais das vítimas, materiais de abuso sexual ou qualquer outro dado que possa comprometer investigações federais em andamento.

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