A vereadora paulistana Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, afirmou que a série Tremembé, da Amazon Prime Video, reacende lembranças do crime que tirou a vida de sua filha aos 5 anos.
A vereadora paulistana Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, afirmou, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, que a série Tremembé, da Amazon Prime Video, reacende lembranças do crime que tirou a vida de sua filha aos 5 anos. Para ela, a produção funciona como um gatilho emocional e a aproxima novamente do episódio mais doloroso de sua trajetória.
Dor reaberta por obra de ficção
Em declaração à coluna, Ana Carolina disse que, embora parte do público encare a série como um produto de entretenimento, o conteúdo representa para ela um retorno imediato ao trauma vivido em 2008. A vereadora destacou que o debate deveria priorizar a memória da menina.
“É doloroso perceber que, enquanto para muitos parece apenas uma série, para mim é o pior dia da minha vida sendo revivido. A verdadeira história não é sobre quem cometeu o crime, mas sobre uma criança que teve sua vida brutalmente interrompida”, afirmou.
Ana Carolina contou que decidiu não assistir à produção para proteger a própria saúde emocional. Segundo ela, a narrativa dramatizada não retrata a dimensão de sua dor nem as circunstâncias reais do caso.
Criminosos em evidência e famílias silenciadas
A vereadora também criticou a recorrente transformação de autores de crimes em figuras de destaque. Para ela, há um desequilíbrio na forma como histórias desse tipo são contadas, deixando familiares das vítimas em segundo plano.
“Diferente de quando eu decido falar sobre a Isabella ou a minha dor, ali não é a minha voz. Prefiro não assistir para preservar minha saúde emocional e proteger algo que foi real, intenso e devastador. Meu ponto principal é que criminosos não se tornem celebridades, como temos visto acontecer”, disse.
Ela acrescentou que, muitas vezes, o tratamento dado a quem comete delitos os coloca como vítimas de suas circunstâncias, ignorando as marcas permanentes deixadas em quem perdeu um ente querido.
“Precisamos de leis mais firmes, penas cumpridas integralmente e de uma sociedade que valorize a vida e não o crime”, afirmou.
Exposição pública e responsabilidade das produções
Após o lançamento da série, Ana Carolina declarou nas redes que não pretende assistir ao conteúdo. Ela defendeu que obras de ficção inspiradas em fatos reais tenham responsabilidade ampliada ao retratar episódios que envolvem violência e traumas profundos.
“Infelizmente vivemos um momento de inversão de valores. Às vezes, algumas produções podem reabrir feridas que acabam ferindo novamente quem já sofreu demais”, afirmou.
Mandato marcado pela memória da filha
Em seu primeiro mandato na Câmara de São Paulo, Ana Carolina disse que a atividade política tem sido desafiadora, mas também impulsionada pelo desejo de reforçar a proteção de crianças e adolescentes. Segundo ela, o sofrimento provocado pelo assassinato de Isabella transformou-se em motivação para trabalhar pela prevenção de novas tragédias.
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