Mãe de jovem morto na Vila Cruzeiro afirma que o filho estava com as mãos amarradas. Wellington Brito, de 21 anos, foi uma das vítimas da Operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.

Wellington Brito, conhecido como Oclin, de 21 anos, foi encontrado morto e amarrado na mata (Foto: Reprodução / Redes Sociais)
Wellington Brito, conhecido como Oclin, de 21 anos, foi encontrado morto e amarrado na mata (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Encontrado na mata entre as dezenas de mortos nas ruas de acesso à Vila Cruzeiro, na quarta-feira (29), o corpo do jovem Wellington Brito, conhecido como Oclin, de 21 anos, estava com os pulsos amarrados por uma corda.

Ele foi uma das vítimas da Operação Contenção, a mais letal da história do Rio de Janeiro, que aconteceu na terça (28), nos complexos da Penha e do Alemão.

Mãe se despediu do filho

Mãe de Wellington, Taua Brito, de 36 anos, deu entrevista à Folha de S. Paulo, e alegou que o filho deve ter sido preso momentos antes de morrer, justificando o porquê do cadáver ser encontrado com as mãos amarradas.

“Dava tempo de socorrer. A corda mostra que ele estava amarrado em algum lugar. Deixaram meu filho morrer”, criticou Taua.

Velório de Wellington Brito

Em suas redes sociais, a mãe comunicou o velório de Wellington na tarde desta sexta-feira (31), já com caixão fechado, pelo estágio avançado de decomposição do corpo. O sepultamento aconteceu também pela tarde.

Taua também aproveitou o espaço para publicar uma mensagem de despedida ao filho.

“Não era pra ser assim, Deus não fez pra ser dessa forma, os pais enterrando os filhos, e sim os filhos enterrando seus pais, mas amanhã eu enterro o meu menino, enterrando a metade dos meus sonhos e dos meus planos, todas as minhas metas de vencer incluía você e sua irmã, Wellington. E a metade dos meus sonhos foram embora.”

Operação Contenção no Rio

A megaoperação superou o Massacre do Carandiru em número de vítimas, que no dia 2 de outubro de 1992 deixou 111 detentos mortos. Desta vez, o Governo do RJ fala em 121 mortes, enquanto a Defensoria Pública do Rio aponta 132 óbitos.

Dois policiais civis e dois militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) morreram. Dos outros 117 civis, estima-se que todos integravam a facção Comando Vermelho (CV), embora os corpos ainda estejam no processo de reconhecimento no Instituto Médico Legal.

A operação apreendeu 91 fuzis, além de munições e granadas.

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