Um homem apelidado nas redes sociais de “maníaco do pé” tem causado medo entre mulheres e adolescentes em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Ao menos cinco vítimas relataram ter recebido bilhetes anônimos com elogios de cunho sexual enquanto utilizavam o transporte coletivo. O caso já resultou em registro policial e pode ser enquadrado como importunação sexual e perseguição.
Nos últimos dias, denúncias começaram a circular nas redes sociais, onde mulheres adultas e meninas adolescentes afirmam ter encontrado bilhetes escritos à mão dentro de bolsas e mochilas. Os recados teriam sido colocados sem que elas percebessem, enquanto estavam andando de ônibus, sempre com mensagens sexualizadas direcionadas aos pés das vítimas.
De acordo com a advogada criminalista Aline Marques, em entrevista ao NDmais, os relatos apontam para dois tipos de crime previstos em lei. “A primeira discussão é quanto ao crime de importunação sexual, que se refere à prática de ato libidinoso com a finalidade de satisfazer a lascívia. Não há exigência de contato físico entre autor e vítima. O conteúdo sexual dos bilhetes é o que atrai essa configuração”, explicou.

Ainda segundo a advogada, o fato de algumas mulheres e adolescentes terem recebido os bilhetes mais de uma vez pode caracterizar também o crime de perseguição. “Algumas das vítimas receberam por diversas vezes o bilhete. Percebe-se que o autor está seguindo essas mulheres pelos locais que frequentam, o que configura a perseguição”, pontuou. A legislação prevê pena de reclusão de um a cinco anos para importunação sexual e de seis meses a dois anos para o crime de perseguição, com agravantes quando as vítimas são menores de idade.
Mesma caligrafia
Todos os bilhetes apreendidos apresentam a mesma caligrafia e foram escritos em pequenos pedaços de papel, o que indica a atuação de uma única pessoa. O conteúdo das mensagens costuma se repetir, com pequenas variações, sempre exaltando de forma explícita os pés das vítimas e sugerindo desejos de contato físico.
Ao menos um boletim de ocorrência já foi registrado. As mulheres relatam medo, sensação de vigilância constante e até receio de continuar utilizando o transporte coletivo após os episódios. Algumas vítimas afirmam suspeitar de um homem com características semelhantes em diferentes situações: forte, de barba, aparentemente mais velho, pele clara, vestindo roupa social e carregando mochila.
O caso segue sob apuração e novas denúncias podem ajudar a polícia a identificar o autor dos bilhetes.