A icônica mansão de Pablo Escobar, famosa por ter paredes duplas usadas para esconder dinheiro e cocaína, foi vendida em leilão mesmo em estado de abandono.
Uma das propriedades mais emblemáticas ligadas ao narcotráfico na Colômbia foi finalmente vendida. A mansão La Manuela, que pertenceu ao traficante Pablo Escobar, foi arrematada em leilão por cerca de R$ 110 milhões, apesar de estar abandonada e bastante deteriorada.
Localizada em Guatapé, a leste de Medellín, a propriedade fica às margens de um lago e segue atraindo turistas curiosos, mesmo décadas após a morte do narcotraficante. A venda foi confirmada nesta semana pela Sociedad de Activos Especiales (SAE), órgão responsável por administrar bens confiscados do crime.
Construída no fim dos anos 1980, a mansão foi projetada para funcionar como um verdadeiro cofre. Suas paredes duplas escondiam grandes quantidades de dólares e cocaína, estratégia usada por Escobar no auge de seu império criminoso. À época, o líder do Cartel de Medellín controlava mais de 80% da cocaína enviada aos Estados Unidos e chegou a ser considerado um dos homens mais ricos do mundo.
No período de maior esplendor, a mansão era protegida por 120 seguranças armados. Estima-se que Escobar acumulasse ganhos semanais de centenas de milhões de dólares e que cerca de 5 mil assassinatos estejam ligados às suas atividades criminosas.

Forças de segurança no telhado da mansão, em 1993, em operação que resultaria na morte de Pablo Escobar – Foto: Reprodução
A queda veio em 1993. No mesmo ano em que Escobar foi morto em uma operação policial, em Medellín, a mansão foi explodida com cerca de 200 kg de TNT pelo grupo Los Pepes, formado por antigos aliados e rivais do narcotraficante, com apoio do Cartel de Cali.

Fotos recentes de La Manuela – Foto: Reprodução

Fotos recentes de La Manuela – Foto: Reprodução
Apesar da destruição, partes do complexo resistiram ao tempo, como um campo de futebol que também funcionava como heliponto, a casa do mordomo e um prédio usado como bar-restaurante. A piscina, antes luxuosa, tornou-se inutilizável.
Segundo a presidente da SAE, Amelia Pérez Parra, a venda representa uma vitória simbólica do Estado colombiano.
“O que antes foi adquirido com dinheiro do narcotráfico agora se transforma em recursos legais que beneficiam a sociedade e ajudam a encerrar ciclos de violência”, afirmou.
O lance inicial da propriedade havia sido fixado em R$80 milhões, mas o interesse histórico e turístico elevou o valor final.
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