A morte da PM Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após a Justiça determinar que o caso passe a ser investigado como feminicídio. Com a mudança na natureza do crime, o marido da vítima, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, passou a ser investigado pelas autoridades.
A morte da PM Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após a Justiça determinar que o caso passe a ser investigado como feminicídio. Com a mudança na natureza do crime, o marido da vítima, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, passou a ser investigado pelas autoridades.
A policial foi encontrada com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como suicídio. No entanto, após questionamentos da família da vítima e o surgimento de novos elementos, a investigação passou a tratar o caso como morte suspeita e, agora, como feminicídio, crime cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de prisão.
Exumação revela possíveis sinais de esganadura
Um dos principais fatores que reforçaram as suspeitas foi o laudo necroscópico realizado após a exumação do corpo.
O exame identificou lesões no rosto e no pescoço da policial. Segundo os peritos, os ferimentos indicam que Gisele pode ter sido esganada ou pressionada no pescoço antes de levar o tiro.
De acordo com o documento, as marcas são compatíveis com pressão digital e escoriações semelhantes a arranhões de unha, o que levanta a hipótese de que a vítima possa ter desmaiado antes do disparo.
A exumação foi realizada no dia 6 de março no Instituto Médico Legal de São Paulo como parte das novas diligências da investigação.
Movimentação no apartamento levanta suspeitas
Outro ponto analisado pelos investigadores é a movimentação no apartamento do casal após o ocorrido.
Segundo depoimento da inspetora do condomínio à polícia, diversas pessoas entraram no imóvel ao longo do dia. De acordo com a testemunha, três policiais militares estiveram no apartamento às 17h48 para realizar a limpeza do local onde a vítima havia sido encontrada.
A testemunha também afirmou que o tenente-coronel retornou ao imóvel ainda naquele dia para buscar pertences antes de viajar para São José dos Campos, no interior paulista.
Ainda segundo o relato, após o atendimento inicial à vítima, o militar permaneceu no corredor do prédio conversando ao telefone e com policiais que atendiam a ocorrência. Em determinado momento, ao ser informado de que a esposa ainda estava viva, ele teria dito que “ela não ia sobreviver”.
Polícia tenta reconstruir o que aconteceu
A investigação busca esclarecer o que ocorreu no apartamento na manhã do dia 18 de fevereiro. Segundo a polícia, Gisele foi baleada por volta das 7h da manhã.
Equipes de resgate foram acionadas e realizaram manobras de reanimação. A policial foi levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde morreu por volta das 12h, em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
Perícias técnicas, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas fazem parte do material analisado pelos investigadores.
Versões divergentes sobre o relacionamento
Em depoimento à polícia, o tenente-coronel afirmou que ouviu o barulho do disparo, acionou o resgate e pediu que um amigo desembargador fosse até o local. Ele também foi questionado sobre o fato de ter retornado ao apartamento para tomar banho após o ocorrido.
Segundo o militar, ele precisava se preparar porque “passaria um longo período fora de casa”.
O oficial também declarou que não era aceito pela família da esposa e afirmou que já havia iniciado um processo de divórcio, o que teria provocado uma reação negativa de Gisele.
A mãe da policial, porém, apresentou uma versão diferente. Em depoimento, ela relatou que a filha vivia um relacionamento conturbado e acusou o genro de ter comportamento abusivo.
Segundo a familiar, o militar não permitia que Gisele usasse batom ou salto alto e exercia controle sobre sua rotina. Ela também contou que, cerca de uma semana antes da morte, a policial pediu que os pais fossem buscá-la porque queria se separar do marido.
Defesa nega feminicídio

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo
A defesa do tenente-coronel afirmou que ainda não teve acesso aos laudos necroscópicos e aguarda que os documentos sejam anexados ao processo. Os advogados também criticaram o vazamento de informações da investigação.
Segundo a defesa, não houve decretação de prisão contra o militar e a hipótese sustentada pela equipe jurídica é de que a morte tenha sido suicídio, e não feminicídio.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso segue sob investigação e que detalhes não serão divulgados por causa do sigilo judicial.
Ainda nesta quarta-feira deve ocorrer uma reunião entre representantes da Secretaria da Segurança, do Ministério Público, o delegado responsável e peritos do caso para análise de novos laudos. Após essa etapa, um eventual pedido de prisão do tenente-coronel poderá ser avaliado.
