Luís Roberto Barroso deve deixar o STF em 2025, antecipando sua aposentadoria. A decisão foi motivada por fatores pessoais, como o luto pela esposa, as sanções impostas pelos EUA e o desejo de uma vida mais tranquila e espiritual. Colaborador da Harvard Kennedy School, o ministro quer dedicar mais tempo à família e à literatura após 12 anos na Suprema Corte.

Luís Roberto Barroso exalta democracia em sua despedida da presidência do STF (Foto: Antonio Augusto/STF)
Luís Roberto Barroso exalta democracia em sua despedida da presidência do STF (Foto: Antonio Augusto/STF)

O ministro Luís Roberto Barroso deve antecipar sua saída do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrando uma trajetória de mais de uma década na Corte. Embora pudesse permanecer até 2033, quando completaria 75 anos — idade da aposentadoria compulsória —, Barroso já vinha amadurecendo a ideia de se afastar do tribunal assim que deixasse a presidência, em setembro de 2025.

A decisão tem origem em um pacto pessoal firmado em 2022, quando sua esposa, Tereza, enfrentava um câncer no fêmur. O ministro prometeu que, ao concluir seu mandato na presidência, se aposentaria para que pudessem “viajar e aproveitar a vida”. No entanto, Tereza faleceu antes que o plano se realizasse.

“Infelizmente, ela faleceu antes, essa motivação específica eu já não tenho. Mas a vida é feita de ciclos”, afirmou Barroso em entrevista à CNN, no fim de setembro, poucos dias antes de passar o comando do STF ao ministro Edson Fachin.

Além do luto, outros fatores consolidaram a decisão do ministro. Um deles foram as sanções impostas pelos Estados Unidos, que suspenderam os vistos dele e de seus familiares. A medida impactou diretamente seu cotidiano: Barroso é colaborador da Harvard Kennedy School e costumava passar as férias nos EUA, onde aproveitava o tempo para ler e escrever.

No discurso de despedida, Barroso negou que sua decisão tivesse relação com as sanções ou com pressões políticas, mas reconheceu o peso emocional do cargo. “Os ônus da função acabam se transferindo aos nossos familiares e pessoas queridas, que sequer têm responsabilidade pela nossa atuação”, afirmou.

Nos bastidores, o ministro também demonstrava incômodo com o que chama de “crise de civilidade global”. O clima de polarização e os ataques constantes ao STF o fizeram repensar o futuro. Após anos na Corte, Barroso passou a integrar a Segunda Turma — composta por ministros com quem tem menos afinidade, como Gilmar Mendes e Nunes Marques —, o que também reduziu seu entusiasmo pela rotina do tribunal.

Com 65 anos, Barroso entende que sua missão como magistrado está cumprida. Avô recentemente, ele quer mais tempo com o neto Rafael e busca um estilo de vida mais simples, longe dos holofotes e do aparato de segurança. “Quero mais espiritualidade, literatura e poesia na minha vida”, confidenciou a pessoas próximas.

O ministro também pondera que, fora da Corte, pode perder a visibilidade e os convites para debates acadêmicos — ele sempre gostou de “ajudar a pensar o Brasil”, como costuma dizer. Ainda assim, considera que chegou o momento de encerrar um ciclo.

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