Menino de 6 anos morreu após receber adrenalina por via intravenosa em hospital de Manaus. Família suspeita de erro na medicação. Cremam abriu procedimento e profissionais foram afastados.

Habeas corpus de médica de caso Benício é revogado, mas ela segue em liberdade (Foto: Arquivo Pessoal)
Habeas corpus de médica de caso Benício é revogado, mas ela segue em liberdade (Foto: Arquivo Pessoal)

O menino Benício Xavier de Freitas, que completaria 7 anos em 25 de dezembro, morreu após receber uma dose de adrenalina aplicada por via intravenosa durante atendimento em um hospital particular de Manaus (AM).

A informação foi relatada pelos pais nesta terça-feira (25), e a família suspeita que o óbito tenha sido causado por erro na administração da medicação. O atendimento ocorreu entre sábado (22) e a madrugada de domingo (23).

Benício morreu antes de completar 7 anos

A denúncia levou o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) a abrir, nesta quarta-feira (26), um procedimento para apurar as circunstâncias da morte. A investigação deve ouvir responsáveis técnicos, analisar prontuários e verificar protocolos adotados durante o atendimento.

O Hospital Santa Júlia informou que instaurou uma apuração interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. A unidade afirmou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções enquanto o caso é analisado.

A instituição declarou ainda que colabora com as autoridades e acompanha o andamento das investigações. A família aguarda esclarecimentos e cobra responsabilização. O caso segue sob avaliação dos órgãos competentes.

Morte de menino

Bruno Freitas, pai de Benício, contou que levou o menino ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.

Segundo ele, até a enfermeira se questionou da medida, mas disse que aplicaria a prescrição mesmo assim. “Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, disse.

Desde então, o quadro de Benício piorou e ele acabou levado à sala vermelha, com oxigenação próxima de 75%, e necessário leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na noite de sábado. O menino precisou ser intubado por volta das 23h, quando sofreu as primeiras paradas cardíacas.

A criança seguiu instável depois das primeiras tentativas de socorro, e morreu às 2h55 da madrugada de domingo, depois de não responder às tentativas de reanimação.

“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, afirmou Bruno.

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