Michele Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgou um vídeo de aproximadamente 15 minutos em que rompe o silêncio que mantinha para proteger sua família e denuncia ataques de apoiadores de seu marido. No depoimento, ela relata sua trajetória como presidente nacional do PL Mulher, movimento que se tornou o maior movimento político partidário de mulheres no Brasil em pouco mais de um ano de trabalho, elegendo mil e cinco mulheres nas eleições de 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020. Michele justifica sua fala como necessária para esclarecer narrativas falsas que circulam, especialmente após sofrer ataques mesmo depois que seu marido escreveu uma carta pedindo que cessassem as agressões contra ela.

Michelle e Bolsonaro (Foto: (Carolina Antunes/PR)
O vídeo marca um momento de ruptura com a estratégia de discrição que ela havia mantido durante o período em que Bolsonaro enfrentou medidas judiciais severas, incluindo prisão domiciliar, tornozeleira eletrônica e transferência para a Polícia Federal.
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A origem do PL Mulher remonta a 2023, quando Jair Bolsonaro e o presidente Valdemar do Partido Liberal identificaram uma lacuna estratégica: as mulheres constituíam um público poderoso que ainda desconfiava do ex-presidente. Michele foi então convidada para presidir o movimento, aceitando o desafio de estruturar uma organização que praticamente não existia além do papel.
Ela percorreu o Brasil inteiro instalando diretórios estaduais e municipais, empossando presidentes e dando capilaridade ao movimento. O trabalho de Michele resultou em uma transformação significativa na representatividade feminina dentro do partido, consolidando o PL Mulher como a maior força política de mulheres no país e preparando o terreno para a eleição de centenas de candidatas em 2024.
Durante o período em que Bolsonaro enfrentou as medidas judiciais mais severas, Michele continuou viajando pelo Brasil levando a mensagem de esperança aos apoiadores, conforme pedido de seu marido. Um momento crítico ocorreu quando uma medicação causou reações inesperadas em Bolsonaro, levando-o a mexer na tornozeleira eletrônica, resultando em sua transferência para a Polícia Federal.

Michelle Bolsonaro
Após esse episódio, Michele relata ter sofrido ataques coordenados de influenciadores que se diziam bolsonaristas, alguns deles operando dos Estados Unidos, que a acusavam de não se importar com o marido. Ela questiona como pessoas que alegam amar o líder poderiam atacar a esposa que estava cumprindo exatamente as missões que ele havia determinado.
O ponto central do discurso de Michele é o conflito político no Ceará, onde ela denuncia a tentativa de eliminar a vereadora Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher, da disputa por uma vaga no Senado Federal. Segundo Michele, a decisão de ceder a vaga de Priscila para garantir uma aliança com o político Ciro Gomes foi tomada aproveitando-se da prisão de Jair Bolsonaro, sem seu conhecimento atualizado. Michele questiona por que André Fernandes não ofereceu a vaga de seu próprio pai para agradar Ciro Gomes, em vez de retirar a vaga de uma mulher que havia trabalhado intensamente em sua campanha para prefeito de Fortaleza. Ela enfatiza que Priscila foi fundamental para reduzir a rejeição feminina ao candidato, aproximando o público feminino e abrindo portas que estavam fechadas.

Michelle afirmou que daria a vida por Bolsonaro (Foto: Partido Liberal)
Michele afirma que Bolsonaro, ainda preso no décimo nono batalhão, mandou um recado claro e inequívoco: “Priscila será candidata. O número 222 deverá ser dado a ela.” Ela considera qualquer desvio dessa determinação como um ato de traição contra Jair Bolsonaro. O vídeo também aborda o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão, onde Michele criticou publicamente a aliança do deputado André Fernandes com Ciro Gomes, gerando reações majoritariamente positivas nas redes sociais, com mais de 90% das menções sendo favoráveis ao seu gesto.
Michele relata ter observado mulheres idosas usando camisetas com o rosto de seu marido, gritando “Ciro não” e chamando os Fernandes de traidores. Posteriormente, ela pediu desculpas a André caso o tivesse magoado, esclarecendo que sua crítica era ao ato político, não à pessoa, e que sua intenção nunca foi ferir ninguém.