A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro respondeu às críticas dos filhos de Jair Bolsonaro, após se posicionar contra o apoio do PL a uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro respondeu às críticas dos filhos de Jair Bolsonaro, após se posicionar contra o apoio do PL a uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará. O impasse expôs divergências internas no núcleo político da família.
Michelle contesta articulação do PL no Ceará
A presidente do PL Mulher criticou publicamente o movimento do partido para apoiar Ciro Gomes, o que, segundo ela, contraria a trajetória e a memória política do ex-presidente. Em nota divulgada na madrugada desta terça-feira, Michelle questionou como poderia se sentir confortável com o alinhamento a alguém que, segundo suas palavras, faz ataques frequentes a Bolsonaro.
No texto, ela citou episódios em que Ciro teria ofendido o marido e se mostrado satisfeito com a decisão judicial que resultou na inelegibilidade do ex-mandatário. Michelle classificou Ciro como uma figura tradicional da política cearense que teria contribuído para a construção da narrativa que associa Bolsonaro às mortes por covid-19.
Ex-primeira-dama reforça respeito aos enteados
Michelle afirmou que respeita a opinião dos filhos do ex-presidente, mas ressaltou que discorda da posição adotada por eles. Disse que tem o direito de expressar o que pensa e que suas considerações não tiveram o objetivo de provocar desentendimentos.
Ela também declarou que Bolsonaro não confirmou pessoalmente se o apoio a Ciro partiu de sua vontade. Em sua nota, pediu compreensão e perdão aos enteados, afirmando que não pretendia contrariá-los.
Crise se amplia após reação de Eduardo, Flávio e Carlos
A tensão ganhou força após as falas de Michelle durante um evento em Fortaleza, onde ela disse que houve precipitação na articulação favorável a Ciro. A declaração foi interpretada como um gesto de confronto por aliados.
Flávio Bolsonaro afirmou que Michelle teria atropelado a posição do ex-presidente. Eduardo Bolsonaro classificou a atitude como injusta e desrespeitosa. Carlos Bolsonaro reforçou que o grupo político deveria se manter unido e seguir a liderança de Bolsonaro, sem influências externas.
Prisão do ex-presidente agrava disputa por protagonismo
A situação ocorre em meio à prisão de Jair Bolsonaro, detido preventivamente em 22 de novembro após ser condenado por participação em um plano de golpe de Estado. Segundo a CNN, a detenção acentuou a disputa interna por espaço e liderança dentro do bolsonarismo.
Para conter o desgaste, o PL agendou uma reunião de emergência nesta terça-feira. O objetivo é alinhar a postura pública da ex-primeira-dama e reforçar o papel de Flávio Bolsonaro na condução das decisões partidárias.