O comandante do Exército, general Tomás Paiva, discursou sobre coesão e imparcialidade em uma cerimônia oficial, citando o patrono da Força, Duque de Caxias, para reforçar que “sua espada não tem partido”. O discurso ocorre em meio a crises políticas, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e a investigação sobre o envolvimento de militares nos ataques de 8 de janeiro, sendo interpretado como um recado da cúpula do Exército sobre sua postura institucional.
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, afirmou nesta quinta-feira (21) que a Força, inspirada em seu patrono, Duque de Caxias, mantém sua força na coesão e na imparcialidade. A declaração foi feita durante a cerimônia de comemoração do Dia do Soldado, em Brasília.
Em seu discurso, o general destacou a filosofia de Caxias, que “empunhou sua espada em prol de um único lado: o da pátria”;
“Minha espada não tem partido”. Ele ressaltou ainda que o patrono ensinou que a força do Exército reside na fé, na coesão, na disciplina, na imparcialidade e no compromisso com o bem comum.
Mensagem de unidade
O discurso de Tomás Paiva ocorre em um momento de intensas crises políticas no país, que incluem a reta final do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e os pedidos de anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
O comandante também fez referência ao exemplo de Caxias como símbolo da pacificação e da dignidade humana, em um contexto no qual a cúpula do Exército promove uma “arrumação interna” para lidar com as “cicatrizes” deixadas pela participação de militares na trama golpista investigada pela Polícia Federal.
Autoridades presentes
A cerimônia do Dia do Soldado, realizada no Quartel General do Exército, contou com a participação de importantes figuras políticas, como o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, e o vice-presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Em outras ocasiões, o general já havia usado seus discursos para enviar mensagens. No Dia do Exército de 2024, em abril, ele fez um apelo por previsibilidade orçamentária. Em agosto do mesmo ano, destacou que a carreira militar exige “enorme sacrifício, sem privilégios”, no momento em que o governo de Lula discutia mudanças na previdência dos militares. Tradicionalmente, os comandantes aproveitam essas datas para dar recados sobre a situação política do país.
