A investigação sobre o falecimento de Luciana Vitória da Conceição Guerra (17), em agosto de 2024, permanece sem desfecho após dezoito meses. O caso, que é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), é marcado pela demora. Embora a perícia tenha identificado material genético na roupa da vítima e confirmado que o óbito foi por asfixia mecânica, o confronto de DNA com suspeitos ainda não foi finalizado.

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A investigação sobre o falecimento de Luciana Vitória da Conceição Guerra (17), em agosto de 2024, permanece sem desfecho após dezoito meses. O caso, que é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), é marcado pela demora. Embora a perícia tenha identificado material genético na roupa da vítima e confirmado que o óbito foi por asfixia mecânica, o confronto de DNA com suspeitos ainda não foi finalizado.

Luciana estava no último ano do Ensino Médio e planejava estudar Psicologia. Em 21 de agosto de 2024, a jovem foi localizada inconsciente em sua residência pelo irmão, Lucas Miller Ramos, parcialmente despida, e com sinais de violência física, com peças de roupa enroladas ao redor do pescoço e de um dos pés. Apesar de ser socorrida por familiares e vizinhos, ela não resistiu.

Evidências periciais e lacunas na investigação

Os laudos elaborados pelo Instituto de Criminalística confirmaram que a morte decorreu de esganadura. Os peritos detectaram a presença de sêmen na roupa íntima da jovem e manchas de sangue em sua calça. Inicialmente, o episódio foi registrado como morte suspeita, mas o teor dos exames necroscópicos forçou a alteração da tipificação para homicídio doloso e a apuração de possível crime de natureza sexual.

Em entrevista ao portal g1, a família da estudante criticou a lentidão das investigações. A mãe da vítima, Mônica Maria da Conceição, indignou-se pelo fato de que o material genético coletado de familiares e vizinhos há mais de um ano ainda não foi comparado com o sêmen encontrado na cena do crime. Para ela, a ausência de sinais de arrombamento no imóvel sugere que o suspeito tinha a confiança da vítima ou acesso facilitado à residência.

Inconsistências nas imagens de monitoramento

Outro ponto que gera questionamentos entre os familiares e o advogado da família, Ewerton Carvalho, diz respeito às câmeras de segurança da vizinhança. Um equipamento instalado em uma propriedade próxima registrou a movimentação da rua no dia do crime, mas as gravações apresentam interrupções justamente no período entre 15h e 16h, horário em que o homicídio pode ter ocorrido.

O proprietário do imóvel justificou que o sistema opera por sensores de movimento, o que explicaria os intervalos. Mas a defesa da família ressalta que o dono da câmera ainda não prestou depoimento formal para esclarecer tais falhas técnicas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP), quando questionada sobre a paralisia nos exames laboratoriais, limitou-se a informar que a polícia continua empenhada no esclarecimento das circunstâncias do crime.

O impacto familiar e o perfil da vítima

A perda de Luciana interrompeu não apenas a trajetória de uma jovem dedicada aos estudos e às artes, mas também desestruturou a rotina de sua mãe. Mônica, que havia se formado em Direito no mesmo ano da morte da filha, não conseguiu dar continuidade aos estudos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil devido ao abalo psicológico. A família precisou abandonar a residência onde o crime ocorreu por questões de segurança e bem-estar emocional.

Luciana era descrita como uma jovem de hábitos tranquilos, apreciadora de artes e música clássica, que realizava trabalhos voluntários em projetos sociais da periferia de São Paulo. Dezoito meses após o ocorrido, o sentimento de impunidade prevalece entre os parentes, que aguardam uma resposta efetiva do Estado sobre a autoria da violência que vitimou a estudante em sua própria casa.

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