O estudo publicado na revista The Lancet prevê que até 2050 o câncer será responsável por 30,5 milhões de novos casos e 18,6 milhões de mortes no mundo.

Mortes por câncer devem ultrapassar 18 milhões em 2050, alerta estudo global

Uma análise publicada na revista The Lancet projeta que 30,5 milhões de pessoas receberão novos diagnósticos de câncer e 18,6 milhões morrerão da doença até 2050. O estudo mostra que, entre 1990 e 2023, as mortes por câncer aumentaram 74%, apesar dos avanços nos tratamentos. Mais de 40% desses óbitos estão ligados a fatores de risco que poderiam ser prevenidos, como tabagismo, má alimentação, obesidade e altos níveis de açúcar no sangue.

Pesquisadores apontam que o envelhecimento e o crescimento da população mundial explicam boa parte do aumento previsto, mas ressaltam que países de baixa e média renda devem ser os mais impactados pela falta de recursos para prevenção e tratamento. Mesmo assim, as projeções estão distantes do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU de reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis até 2030.

A análise foi feita a partir de registros populacionais, sistemas vitais e entrevistas com familiares ou cuidadores de pessoas que morreram em decorrência da doença. As estimativas abrangem mais de 200 países e territórios, cobrindo 47 tipos de câncer.

Em 2023, o número de mortes chegou a 18,6 milhões (sem contar os cânceres de pele não melanoma), o que representa um aumento de 105% desde 1990. Os tipos mais diagnosticados foram o câncer de mama e os de traqueia, brônquios e pulmão, sendo este último também o mais letal.

Mortes que poderiam ser evitadas

Além desses números, o estudo reforça que uma parcela significativa das mortes poderia ser evitada. Em 2023, cerca de 42% dos óbitos, equivalentes a 4,3 milhões de pessoas, foram associados a comportamentos e exposições de risco, como fumar, má alimentação, obesidade e altos níveis de glicose no sangue. O cigarro, sozinho, respondeu por 21% das mortes e foi o principal fator em quase todos os países, com exceção das nações de baixa renda, onde o sexo sem proteção aparece como o maior risco.

Entre os homens, também pesaram hábitos alimentares ruins, consumo excessivo de álcool, poluição e riscos ocupacionais. Já entre as mulheres, além do cigarro, os principais fatores foram obesidade, sexo desprotegido e glicose elevada. Segundo os pesquisadores, reduzir essas exposições poderia não apenas evitar milhões de novos casos, mas também salvar vidas com diagnósticos precoces e tratamentos adequados.

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