O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estuda a possibilidade de enviar militantes à Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no sábado (03).

Trump, à esquerda, e Maduro, à direita. Foto: Reprodução.
Trump, à esquerda, e Maduro, à direita. Foto: Reprodução.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estuda a possibilidade de enviar militantes à Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no sábado (03). A avaliação ocorre em meio à mobilização de organizações da esquerda brasileira em defesa do líder venezuelano.

Maduro foi preso durante uma operação militar em território venezuelano e levado aos Estados Unidos, onde passou por audiência em um tribunal federal de Nova York. Ele é acusado de conspiração com cartéis de drogas para o tráfico internacional de cocaína. Em depoimento, o presidente negou as acusações e afirmou ser vítima de um sequestro.

Reunião da esquerda e articulações

O MST participou de uma reunião virtual no domingo (04), que reuniu mais de 50 organizações da esquerda brasileira. Segundo relatos de participantes, não houve consenso sobre o cenário político venezuelano, descrito como um processo ainda em desenvolvimento.

Apesar disso, o encontro resultou na deliberação de manifestações em diversas capitais do país, muitas delas previstas para ocorrer em frente a embaixadas e consulados dos Estados Unidos. Os protestos também devem integrar os atos programados para o dia 8 de janeiro.

Possível atuação na Venezuela

Integrante da direção nacional do MST, Ceres Hadich afirmou que o movimento não descarta uma atuação direta no território venezuelano, caso considere necessário.

“A gente não descarta o envio de um reforço de militância, de atuação in loco na própria Venezuela, desde que sejam necessários. As nossas relações de solidariedade na Venezuela são muito claras, definidas e públicas”, declarou. Segundo ela, o MST mantém cooperação com o país vizinho, inclusive em iniciativas voltadas à produção de alimentos.

Ceres acrescentou que, neste primeiro momento, o foco do movimento é denunciar o que classifica como sequestro do presidente venezuelano, além da invasão e das mortes atribuídas à ação do governo norte-americano.

Apoio diplomático e divisões internas

A dirigente do MST elogiou a posição da diplomacia brasileira e de outros países do Brics, que reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como líder legítima da Venezuela após a prisão de Maduro.

Outra reunião virtual foi realizada na segunda-feira (05), reunindo partidos e intelectuais de esquerda. Participaram nomes como José Dirceu e Mônica Valente, do PT; Valério Arcary e Juliano Medeiros, do PSol; a jornalista Ana Prestes, representando o PCdoB; além do jornalista Breno Altman e do diplomata venezuelano Carlos Ron.

O encontro expôs divergências internas. Integrantes do PSol se posicionaram contra a defesa de Maduro, a quem classificam como ditador, mas afirmaram que rejeitam qualquer interferência estrangeira na mudança de poder de outro país. Já o PT e organizações como o MST defenderam o presidente venezuelano sem ressalvas.

Também houve divergência sobre o foco das críticas, entre concentrar ataques ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou à direita brasileira que apoia a ação norte-americana na Venezuela.

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