Mulher agredida por PM em São Vicente disse que estava em surto e desorientada. Ela afirma não lembrar do momento da agressão. Polícia Militar abriu inquérito para apurar o caso

Mulher é atingida por chute de policial militar enquanto estava no chão. — Foto: Reprodução
Mulher é atingida por chute de policial militar enquanto estava no chão. — Foto: Reprodução

A mulher de 30 anos que foi chutada no rosto por um policial militar (PM) em São Vicente, no litoral de São Paulo, afirmou que estava em surto no momento da ocorrência e que não se recorda das agressões. O caso ganhou repercussão após imagens da abordagem circularem nas redes sociais.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a vítima relatou que faz tratamento para questões de saúde mental, mas estava sem tomar medicação controlada há cerca de um mês. Segundo ela, a situação saiu do controle após uma sequência de fatores no local.

“Lembro de muito choro e de muita dor”, disse.

De acordo com o relato, a mulher desceu até a portaria do prédio após reclamações de barulho feitas por moradores. Ela afirma que ficou ainda mais alterada ao perceber que estava sendo filmada por funcionários.

“Me deixou um pouco exaltada e também estava em surto por falta de medicação”, explicou.

Tentou bater no PM

Durante a abordagem, a mulher admitiu que tentou dar um tapa em um dos policiais, mas não chegou a atingi-lo. Ainda assim, ela contesta a forma como a ação foi conduzida e diz que reagiu por se sentir ameaçada.

“Se não tivesse sido agredida daquele jeito, não teria desacatado em nenhum momento. Foi tudo para me defender daquela situação”, afirmou.

A ocorrência foi registrada como desacato. Após a intervenção, a mulher foi socorrida com um ferimento na cabeça e levada a unidades de saúde da região. Segundo o boletim, ela voltou a apresentar um novo surto já na delegacia e precisou de novo atendimento médico.

Nota oficial

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos. As imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais também estão sendo analisadas.

A corporação afirmou ainda que não tolera excessos ou desvios de conduta e que, caso irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis serão punidos.

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