A Justiça do DF condenou sete pessoas pelo assassinato de Geves Alves da Silva, ocorrido em 2023. A ex-esposa da vítima foi apontada como mandante e recebeu mais de 24 anos de prisão. O crime foi planejado com ajuda de comparsas e executado por atiradores contratados.
O Tribunal do Júri de Ceilândia, no Distrito Federal, condenou nesta quarta-feira (25) sete pessoas pela morte de Geves Alves da Silva. O crime ocorreu em 16 de abril de 2023, na QNM 18, e foi considerado premeditado e encomendado.
A principal responsável, segundo a investigação, foi a ex-esposa da vítima, Aila Lopes Neves, condenada a 24 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Ela também perdeu a guarda do filho que tinha com Geves.
Execução após culto
A vítima foi morta a tiros por dois homens que passaram de motocicleta no momento em que deixava um culto religioso em uma igreja da região.
O júri reconheceu que o homicídio foi cometido com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com uso de meio que gerou perigo, qualificadoras que aumentaram as penas.
Planejamento e participação
De acordo com a investigação, Stephanie Karoline Silva Vieira atuou diretamente na organização do crime e foi condenada a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.
Outros cinco envolvidos também foram considerados corresponsáveis:
- Alex Sandro da Silva: executor dos disparos, condenado a 31 anos, 9 meses e 15 dias, incluindo tentativa de homicídio contra uma mulher que estava com a vítima.
- Ezequiel Severino da Silva: auxiliou na execução e fuga, condenado a 37 anos e 4 meses.
- Ebeson Damião dos Santos: intermediador do crime, condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias.
- Nádia Nonata de Santana: forneceu a arma, condenada a 18 anos e 9 meses.
- Francisca Diva Oliveira da Silva: apontada como mãe de santo e participante do planejamento, condenada a 15 anos, 7 meses e 15 dias.
O juiz determinou a prisão imediata de todos os condenados e o início do cumprimento das penas.
“Conselho espiritual” e motivação
As investigações apontaram que Francisca Diva Oliveira da Silva teria orientado Aila Lopes Neves a matar o ex-marido, sob a alegação de que ele poderia obter a guarda do filho do casal.
Segundo a polícia, a suposta conselheira espiritual também ajudou a planejar o crime, orientando a vigilância da rotina da vítima e o melhor momento para a execução.
Além disso, foi identificado que havia um seguro de vida em nome de Geves Alves da Silva, cujo valor chegou a ser pago à mandante após a morte.
Dinâmica do crime
Com a ajuda de Stephanie Karoline Silva Vieira, a mandante monitorou a rotina da vítima e adquiriu uma motocicleta em leilão, utilizada na execução.
Os autores dos disparos eram conhecidos de Aila e, segundo a investigação, cada um teria recebido cerca de R$ 20 mil para cometer o assassinato.
Histórico dos envolvidos
Parte dos condenados já estava presa preventivamente desde a época do crime, como os executores e intermediadores. Já Aila e Stephanie chegaram a ser presas meses após o homicídio, mas respondiam ao processo em liberdade desde 2024.
Francisca Diva Oliveira da Silva também estava em prisão domiciliar por questões de saúde.
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