A Copa do Mundo de 2026 chega ao fim no próximo domingo (19) com a grande final entre Espanha e Argentina. No entanto, a torcida brasileira ainda tenta superar a eliminação da Amarelinha nas oitavas de final, e uma dúvida persistente ficou no ar após a queda: Neymar tem chances de disputar a Copa de 2030?
A Copa do Mundo de 2026 chega ao fim no próximo domingo (19) com a grande final entre Espanha e Argentina. No entanto, a torcida brasileira ainda tenta superar a eliminação da Amarelinha nas oitavas de final, e uma dúvida persistente ficou no ar após a queda: Neymar tem chances de disputar a Copa de 2030?

Atacante deve escolher próximo passo da carreira em breve (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Após a desclassificação do Brasil diante da Noruega, o camisa 10 deu uma declaração emocionada no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, indicando o fim de sua trajetória em Mundiais:
“Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui.”
Mesmo com o tom de despedida e os nítidos empecilhos físicos que o afastaram da maior parte dos jogos da Seleção, os fãs do craque ainda sonham com um último retorno. Mas o que dizem os números e a medicina esportiva?
O calvário físico e o hiato histórico na Seleção Brasileira
Entre lesões sucessivas no joelho, incluindo a grave ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e do menisco em 2023, e recorrentes problemas musculares na coxa, Neymar enfrentou um hiato histórico. O atacante ficou exatamente 981 dias sem vestir a camisa da Seleção Brasileira em partidas oficiais, retornando apenas na reta final da fase de grupos da Copa de 2026.
O reflexo disso foi a sua pouca minutagem no torneio. O camisa 10 atuou por um total de apenas 37 minutos em todo o Mundial de 2026:
15 minutos na vitória contra a Escócia.
22 minutos na dolorosa eliminação para a Noruega (onde marcou, de pênalti, o único gol brasileiro).
Ao longo da carreira, dados consolidados apontam que Neymar já acumulou cerca de 1.622 dias em recuperação médica.
O que diz o especialista: ‘Fase de explosão ficou no passado’
Para entender a viabilidade física de Neymar aguentar o ciclo até 2030, o Bacci Notícias entrevistou o Dr. Joaquim Grava, renomado médico ortopedista e especialista em medicina esportiva.
De acordo com o médico, a cirurgia de ligamento cruzado anterior costuma ter evolução satisfatória, mas o histórico recente do craque acende um alerta sobre o pós-operatório e o fator psicológico.
“A recuperação do Neymar pode ter tido alguma intercorrência na evolução, por isso essa dificuldade que ele tem de ganhar forma física e o excesso de lesões musculares. Todo jogador que se machuca fica psicologicamente abatido, começa a ter um pouco de medo no início da atividade e sofre novas lesões”, explica o Dr. Joaquim Grava.
O especialista relembrou o caso de Ronaldo Fenômeno, que superou duas graves lesões no joelho para ser campeão em 2002, mas ressalta que o fator idade e o foco do atleta mudam o cenário para o atual camisa 10.
“Essa recuperação física, até pela própria faixa etária dele, depende muito do atleta. Não depende mais de fisioterapeuta ou de médico; depende da boa vontade dele fazer o que é necessário para encontrar o ritmo. Mas, devido à idade, acho meio difícil ele conseguir reviver aquela fase de explosão. Como ele é um craque, vai ter que começar a jogar pelos atalhos do campo.”
Pensando no ciclo para 2030, o diagnóstico do médico é claro: sem uma mudança drástica na rotina, o sonho da próxima Copa fica distante.
“Na minha opinião, se ele permanecer sem a evolução física e clínica que esperamos, não terá condições de jogar, a não ser que muita coisa mude. Exige mudança de treinamento, um trabalho específico para ele. Se for para jogar como jogou essa Copa de 2026, é uma situação muito preocupante”, concluiu Grava.
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