A nova faixa de isenção do Imposto de Renda, aprovada em 2025, não valerá para a declaração de 2026, que considera os rendimentos do ano-base 2025. As mudanças, que ampliam a isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais, só terão efeito na declaração de 2027. A Receita Federal deve anunciar as regras do IR 2026 na próxima semana.

Receita libera declaração pré-preenchida para agilizar envio do IR 2026. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.
Receita libera declaração pré-preenchida para agilizar envio do IR 2026. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aprovada em 2025 não terá impacto na declaração que será entregue em 2026. Isso porque o envio feito neste ano se refere aos rendimentos obtidos ao longo de 2025.

Dessa forma, a nova regra que amplia a isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês, além de descontos para quem ganha até R$ 7.350, só passará a valer efetivamente na declaração de 2027.

A Receita Federal do Brasil deve anunciar na próxima segunda-feira (16) as regras oficiais da declaração do Imposto de Renda 2026. A expectativa é que o prazo de entrega fique entre 18 de março e 29 de maio, embora as datas ainda dependam de confirmação.

Segundo o especialista em tributação Mafrys Gomes, sócio do Grupo MCR Contabilidade e Auditoria, muitos contribuintes acabam confundindo o ano da declaração com o período dos rendimentos.

“Muitas pessoas acreditam que as novas regras já impactarão a declaração de 2026, mas isso não é verdade. Como estamos falando do ano-base 2025, as mudanças aprovadas recentemente só terão efeito prático na declaração que será entregue em 2027”, explicou.

A expectativa é que o modelo da declaração deste ano siga praticamente o mesmo formato utilizado no exercício anterior, sem alterações estruturais relevantes.

Em 2025, por exemplo, era obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888 ao longo do ano. Naquele exercício, mais de 43,3 milhões de contribuintes enviaram declarações dentro do prazo. Para 2026, a previsão é de aumento nesse volume.

Para evitar problemas com a Receita, especialistas recomendam que o contribuinte organize os documentos com antecedência. Entre os principais itens estão informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas e educacionais, além de registros de bens e investimentos.

Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, afirma que o Fisco tem investido cada vez mais em tecnologia para aprimorar o cruzamento de dados e reduzir inconsistências nas declarações.

“Em relação ao programa da declaração deste ano, as novidades devem ser pontuais, com ajustes sobre onde declarar determinadas informações”, explicou.

Segundo ele, uma das evoluções mais aguardadas é a ampliação do sistema de declaração pré-preenchida, que utiliza dados já disponíveis nos bancos de dados da Receita para facilitar o preenchimento por parte do contribuinte.

Quem precisou declarar no último ano

No exercício anterior, estavam obrigados a declarar o Imposto de Renda contribuintes que se enquadravam em situações como:

  • rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888 no ano;

  • rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte superiores a R$ 200 mil;

  • ganho de capital na venda de bens ou direitos;

  • operações em bolsas de valores com soma superior a R$ 40 mil;

  • receita bruta acima de R$ 169.440 em atividades rurais.

Como se preparar para declarar o IR 2026

Especialistas recomendam algumas medidas para facilitar o preenchimento e evitar cair na malha fina:

Organizar documentos: separar informes bancários, comprovantes médicos, despesas com educação, dados de dependentes e registros de aluguéis.

Verificar os critérios de obrigatoriedade: acompanhar as regras divulgadas pela Receita para saber se é necessário declarar.

Informar bens e investimentos: veículos, imóveis, aplicações financeiras, participação em empresas e até criptomoedas devem ser incluídos na ficha de “Bens e Direitos”.

Escolher o melhor modelo: o contribuinte pode optar entre a declaração completa, com deduções legais, ou o modelo simplificado, que aplica um desconto padrão de 20% sobre a renda tributável.

Buscar orientação profissional: em casos mais complexos, a ajuda de um contador pode evitar erros e reduzir o risco de inconsistências na declaração.

Leia mais no BacciNotícias:

Vídeos curtos

Mais lidas