A American Heart Association (AHA) divulgou, em outubro, novas diretrizes de primeiros socorros e reanimação cardiopulmonar (RCP), alterando o procedimento em casos de engasgo.
A principal mudança é o retorno das pancadas nas costas, que agora devem ser alternadas com as compressões abdominais (manobra de Heimlich) em adultos e crianças conscientes.
Em bebês com menos de 1 ano, o protocolo passa a orientar cinco pancadas nas costas seguidas de cinco compressões torácicas, sem o uso da manobra abdominal, que continua proibida por risco de lesões internas.
As atualizações, publicadas na revista Circulation, visam aumentar a eficácia das manobras e reduzir o tempo de resposta em emergências. A AHA ressalta que quase 40% das paradas cardíacas infantis fora de hospitais nos EUA são causadas por asfixia.
Entre outros pontos, as novas diretrizes ampliam o ensino de RCP para crianças a partir dos 12 anos, incluem protocolos para overdose de opioides com uso de naloxona e recomendam o clampeamento tardio do cordão umbilical em recém-nascidos, além de unificar os protocolos de atendimento para todas as faixas etárias.
A American Heart Association (AHA) divulgou, em outubro, uma atualização importante de suas diretrizes sobre primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar (RCP) e emergências cardiovasculares.
As novas orientações, publicadas na revista Circulation, substituem as regras de 2020 e trazem mudanças significativas na abordagem de casos de engasgo com obstrução das vias aéreas, tanto em bebês quanto em crianças e adultos conscientes.
A AHA é a principal referência mundial para protocolos de emergência médica.
Principais mudanças

Imagem manobras (AHA)
O novo protocolo recomenda que, em vítimas conscientes (crianças e adultos), o socorrista alterne cinco pancadas nas costas com cinco compressões abdominais, a conhecida manobra de Heimlich. Até então, a orientação era iniciar diretamente pelas compressões.
Segundo o médico Ashish Panchal, coordenador do comitê de emergência cardiovascular da AHA, a decisão se baseia em décadas de estudos clínicos.
“As evidências mostram que as pancadas nas costas aumentam as chances de o objeto ser expulso antes das compressões”, explica o especialista.
No caso dos bebês com menos de 1 ano, o procedimento também foi ajustado: deve-se alternar cinco tapas nas costas e cinco compressões torácicas, aplicadas com a base da palma da mão, até que o corpo estranho seja removido ou até a perda de consciência.
As compressões abdominais continuam proibidas nessa faixa etária, pois podem causar lesões internas.
Passo a passo para bebês (até 1 ano)
- Confirme se o bebê realmente está engasgado (sem choro, tosse ou respiração).
- Apoie-o de bruços sobre o antebraço, com a cabeça voltada para baixo.
- Aplique cinco pancadas firmes entre as escápulas.
- Vire o bebê de barriga para cima e faça cinco compressões no centro do peito.
- Repita o ciclo até o objeto sair ou até a perda de consciência.
- Não introduza os dedos na boca se o objeto não estiver visível.
- Se desmaiar, inicie a RCP com 30 compressões torácicas seguidas de 2 ventilações.
Passo a passo para crianças maiores e adultos
- Verifique se há obstrução total (sem som, tosse ou respiração).
- Posicione-se atrás da vítima, inclinando-a levemente para frente.
- Aplique cinco pancadas nas costas com o calcanhar da mão.
- Caso o objeto não saia, realize cinco compressões abdominais (Heimlich).
- Feche um punho e posicione-o acima do umbigo; empurre para dentro e para cima.
- Alterne as pancadas e compressões até que a obstrução seja resolvida ou a vítima perca a consciência.
- Em caso de desmaio, deite a pessoa e inicie a RCP com compressões torácicas ritmadas (100 a 120 por minuto).

Reprodução AHA
Por que as regras foram atualizadas
De acordo com a AHA, cerca de 40% das paradas cardíacas infantis fora de hospitais nos EUA são causadas por asfixia ou problemas respiratórios. O novo protocolo busca simplificar o treinamento, acelerar a resposta de socorro e aumentar as chances de sobrevivência, reduzindo o tempo até o início das manobras.
Quando buscar ajuda imediata
- Se a vítima não conseguir respirar, tossir ou falar.
- Se ficar inconsciente.
- Se o objeto não for expelido após as manobras.
- Sempre acione o Samu (192) antes de iniciar o procedimento.
Outras mudanças nas diretrizes da AHA
- Treinamento precoce: crianças a partir dos 12 anos agora podem aprender RCP e uso de desfibrilador automático.
- Overdose de opioides: novo protocolo inclui orientações sobre o uso público da naloxona.
- Recém-nascidos: o clampeamento do cordão umbilical deve ser feito após 60 segundos, melhorando os níveis de ferro e oxigênio.
- Cadeia de sobrevivência unificada: a AHA integrou os antigos protocolos, criando um modelo único aplicável a adultos, crianças e contextos hospitalares e extra-hospitalares.
