A Índia entrou em alerta após dois casos suspeitos do vírus Nipah em profissionais de saúde em Bengala Ocidental. Apesar da alta letalidade da doença, não houve mortes no surto atual. Especialistas avaliam que o risco para o Brasil é quase zero, e o Ministério da Saúde descarta possibilidade de pandemia, mantendo protocolos de vigilância.

Foto: reprodução/Freepik
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Um novo surto do vírus Nipah colocou a Índia em estado de alerta sanitário. Segundo boletim epidemiológico do Programa de Emergências de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Sudeste Asiático, dois casos suspeitos foram registrados em 12 de janeiro no estado de Bengala Ocidental. Os pacientes, ambos profissionais de saúde, seguem sob monitoramento de uma equipe médica especializada.

Apesar de não haver registro de mortes no surto atual, o Nipah preocupa pela alta taxa de letalidade, que varia entre 40% e 75%, de acordo com a OMS. Investigações preliminares indicam que os profissionais podem ter sido expostos ao vírus durante uma visita de trabalho ao distrito de Purba Bardhaman. O último registro da doença em Bengala Ocidental havia ocorrido em 2007.

Diante do cenário, o governo local adotou medidas preventivas para conter a disseminação do vírus. Uma equipe de resposta a surtos foi enviada à região, com apoio técnico, logístico e operacional do Centro Nacional de Controle de Doenças da Índia. A vigilância foi intensificada nos distritos de Purba Bardhaman, North 24 Parganas e Nadia, incluindo o rastreamento de contatos considerados de alto risco.

Em entrevista a Folha de S.Paulo, o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, o risco de o vírus chegar ao Brasil é “quase zero”. Segundo ele, embora exista transmissão entre humanos, o índice de reprodução do Nipah é baixo, em torno de 0,3, e os principais grupos de risco são profissionais de saúde expostos por longos períodos. Com o uso adequado de equipamentos de proteção e medidas básicas de higiene, a chance de expansão do surto é reduzida.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não há risco de pandemia, apesar de o Nipah ser classificado pela OMS como um vírus de alta patogenicidade. O órgão informou que mantém protocolos de vigilância e resposta para agentes altamente perigosos, em parceria com instituições como a Fiocruz, o Instituto Evandro Chagas e a Opas.

O que é o vírus Nipah?

O vírus Nipah é zoonótico, podendo ser transmitido de animais para humanos, por alimentos contaminados ou entre pessoas. Identificado pela primeira vez na década de 1990, na Malásia, ele tem como hospedeiros naturais morcegos frutíferos. Ainda não há vacina ou tratamento específico, sendo indicado apenas o cuidado intensivo de suporte em casos graves.

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