Representantes do PT e vereadores da Câmara Municipal reagiram às críticas e atribuíram parte da responsabilidade à gestão Nunes pelo atraso da obra

Ricardo Nunes e Fernando Haddad (Foto: Wilson Dias/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Ricardo Nunes e Fernando Haddad (Foto: Wilson Dias/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), atribuiu ao ex-prefeito Fernando Haddad (PT) a responsabilidade pelo atraso na construção de um piscinão no Capão Redondo, na Zona Sul da capital. A declaração foi feita nesta terça-feira (27), duas semanas após a morte de um casal que teve o carro levado por uma forte enxurrada na região.

A obra tem como objetivo melhorar o escoamento das águas do córrego que corta a Avenida Carlos Caldeira Filho, no bairro Campo Limpo, área frequentemente afetada por alagamentos.

Foi nesse trecho que Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, e Marcos da Mata Ribeiro, de 68, foram surpreendidos pela força da água durante uma chuva intensa. O veículo em que estavam foi arrastado, e os corpos do casal só foram localizados dias depois pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com Ricardo Nunes, o contrato para a construção do reservatório foi firmado em 2015, durante a gestão de Fernando Haddad, mas a obra não teria sido concluída à época. O atual prefeito afirmou que o atraso comprometeu a capacidade de drenagem da região, historicamente vulnerável a enchentes.

“É uma tristeza enorme aquele casal ter sido dragado ali, pelo córrego na Caldeira Filho. É um piscinão que, para vocês terem uma ideia, o contrato foi assinado em 23 de dezembro de 2015. Naquela época, o prefeito era Fernando Haddad. Desde a época da estrutura do contrato até então, nada foi feito. Absolutamente nada, nem projeto. E a gente retomou esse projeto e essa construção do piscinão”, disse Ricardo Nunes.

Custo da obra ultrapassa R$ 261 milhões

As obras do piscinão do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, seguem fora do prazo, segundo informações divulgadas pelo Bom Dia SP, da TV Globo. O projeto foi retomado pela atual gestão municipal em agosto de 2022, com cronograma estimado de 36 meses, o que indicava conclusão em agosto de 2025. No entanto, o reservatório ainda não foi finalizado.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a nova estimativa aponta que a obra será concluída com um investimento superior a R$ 261,4 milhões, valor destinado não apenas à construção do piscinão, mas também a intervenções de infraestrutura ao longo do córrego que corta a região.

Nunes volta a responsabilizar gestão Haddad

O atraso já havia sido reconhecido pelo prefeito Ricardo Nunes no último dia 20 de janeiro, ao comentar a morte de um casal de idosos arrastado por uma enxurrada nas proximidades do local. Na ocasião, o chefe do Executivo municipal lamentou o ocorrido e admitiu que o reservatório ainda não estava pronto.

Nesta terça-feira (27), ao voltar a comentar o tema, Nunes atribuiu novamente os entraves à gestão do ex-prefeito Fernando Haddad, que deixou o comando da capital há cerca de uma década. Segundo ele, apesar de o contrato da obra ter sido firmado em 2015, etapas essenciais não teriam sido executadas à época.

O prefeito afirmou que dificuldades relacionadas a desapropriações impediram o avanço do projeto nos últimos anos. “Quando eu fui fazer a sondagem, teve locais que tinham muitos imóveis, lojas. E a gente não pôde fazer a sondagem. Aí eu desapropriei, paguei os proprietários, demoli aquelas construções e comecei a fazer a obra”, disse.

Haddad evita comentar críticas de Ricardo Nunes

Após as declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre o atraso nas obras do piscinão do Capão Redondo, a assessoria do ex-prefeito Fernando Haddad informou que o atual ministro da Fazenda não iria se manifestar sobre o assunto.

Enquanto isso, vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de São Paulo reagiram publicamente às críticas feitas por Nunes. Por meio das redes sociais, parlamentares saíram em defesa de Haddad e atribuíram à atual gestão municipal a responsabilidade pela demora na execução da obra.

Entre as manifestações, o vereador Nabil Bonduki afirmou que Ricardo Nunes deveria assumir a parcela de responsabilidade da administração atual. Segundo ele, o prefeito está no comando da cidade há cerca de cinco anos e integrou gestões anteriores, tendo sido vice-prefeito de Bruno Covas e aliado do ex-governador João Doria.

“O contrato foi assinado em dezembro de 2015 pela gestão Haddad, que ficou no governo até dezembro de 2016. Um ano, portanto. Quem não fez nada em 10 anos foram os prefeitos Doria (1 ano), Bruno Covas (3 anos) e o próprio Ricardo Nunes (5 anos)”, escreveu o vereador Nabil Bonduki (PT), que foi secretário de Cultura da gestão Haddad.

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