A paixão é uma complexa atividade cerebral que causa euforia e obsessão por neurotransmissores como a dopamina. Com o tempo, o amor maduro se fortalece com ocitocina. A dor do “coração partido” ativa as mesmas áreas da dor física, comprovando o impacto biológico do sentimento.

O amor pela ciência: o que esse sentimento faz com nosso corpo?

O amor e a paixão movem o mundo, inspiram canções e, muitas vezes, nos fazem cometer loucuras. Celebridades como Anitta, que já declarou ter se sentindo “tonta” de paixão, ou Bruna Marquezine, que já foi flagrada em momentos de total euforia ao lado de um antigo parceiro, são exemplos de como essa emoção nos afeta. A ciência explica que essa sensação não é apenas algo do coração, mas uma complexa e intensa atividade cerebral que mistura prazer, obsessão e até mesmo dor.

O que acontece em nossa mente quando nos apaixonamos? A neurociência e a psicologia unem-se para decifrar os segredos por trás desse sentimento.

A paixão sob a lente da Neurociência

Para o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela, a paixão é uma verdadeira “cascata” de reações químicas no cérebro. A experiência ativa regiões cerebrais ligadas à recompensa, emoção e memória, como o córtex pré-frontal ventromedial, o núcleo accumbens e a amígdala.

Na fase inicial da paixão, somos invadidos por uma intensa liberação de:

  • Dopamina: O neurotransmissor do prazer e da motivação, que gera a euforia e a sensação de recompensa.
  • Noradrenalina: Aumenta a energia, o foco e a euforia, nos deixando em estado de alerta.
  • Serotonina: Curiosamente, os níveis de serotonina, que está ligada à felicidade e ao bem-estar, caem. Essa redução explica a obsessividade e o pensamento constante na pessoa amada, características da paixão avassaladora.

Com o tempo, essa fase eufórica se acalma. Se o vínculo se fortalece, predominam a ocitocina e a vasopressina, conhecidas como “hormônios do amor”. Elas estão associadas à confiança, ao apego e à estabilidade emocional, cimentando a relação a longo prazo.

Paixão como vício?

O Dr. Fabiano de Abreu Agrela compara a paixão a um vício comportamental.

“O amor apresenta características semelhantes a um vício comportamental, pois recruta os mesmos circuitos dopaminérgicos de recompensa ativados por drogas como álcool e cocaína”, destaca o especialista.

No entanto, o especialista ressalta uma diferença crucial: enquanto a droga destrói, o vínculo amoroso maduro promove a integração emocional e afetiva, fortalecendo a conexão entre as pessoas.

Correspondente a dor:

A experiência de um “coração partido” também tem uma explicação neurológica. A dor da perda ativa as mesmas áreas cerebrais envolvidas na dor física, como o córtex cingulado anterior. Esse correlato neural explica por que a rejeição ou separação pode ser sentida de forma tão intensa, ativando uma resposta biológica semelhante ao sofrimento físico.

O amor pela ótica da psicologia

Para o psicólogo e neurocientista do comportamento Yuri Busin, toda relação começa com a atração, seja ela física ou por valores. Com o tempo, essa atração evolui para uma admiração e, finalmente, para uma conexão mais profunda, onde os valores se alinham e o compromisso se consolida.

Busin diferencia a paixão do amor maduro, chamando a paixão de um “estado de demência“, onde a pessoa não consegue enxergar os defeitos do parceiro e faz loucuras para conquistá-lo ou mantê-lo por perto. Já o amor maduro é construído com base na liberdade e na escolha de estar com o outro, e não na obrigação.

O Lado B do Amor

Busin destaca que o amor pode ser uma das emoções mais benéficas para a saúde mental, promovendo a redução do estresse e a melhora do humor. Contudo, ele também tem seu lado negativo, que pode levar a comportamentos prejudiciais como a dependência emocional e o ciúme excessivo.

  • Dependência Emocional: Para o psicólogo, a dependência se manifesta quando a felicidade ou o humor de uma pessoa dependem completamente do outro. Enquanto é natural sentir-se triste quando o parceiro está mal, a dependência faz com que o indivíduo “não consiga seguir” sem a presença ou aprovação do outro.
  • Ciúme Excessivo: O Busin alerta que o ciúme excessivo traz muita dor e reforça a falta de liberdade no relacionamento.

O especialista conclui que relacionamentos saudáveis são construídos com base no diálogo e na liberdade de escolha, sendo possível reverter quadros não saudáveis quando há o desejo mútuo de ambos os parceiros em buscar a mudança.

Experiência de amar

Com base em todas essas informações, podemos concluir que o amor, em suas diversas fases, não é apenas um sentimento, mas uma experiência que transforma o cérebro e o comportamento. Assim como percebemos em famosos que estão iniciando uma relação, os comportamentos são outros: a euforia, a obsessão e até a impulsividade dão lugar a atitudes que refletem a busca por um estado de bem-estar mais calmo e duradouro.

O amor é uma força poderosa, capaz de trazer tanto os sentimentos mais sublimes quanto as maiores dores. Compreender sua complexa dinâmica, que vai da química cerebral à maturidade psicológica, é fundamental para navegar em relacionamentos de forma mais consciente e saudável.

Vídeos curtos

Mais lidas