O avanço repentino do mar que deixou um jovem de 29 anos morto e ao menos 35 pessoas feridas no litoral da província de Buenos Aires, na Argentina, foi provocado por um fenômeno conhecido como meteotsunami.
O avanço repentino do mar que deixou um jovem de 29 anos morto e ao menos 35 pessoas feridas no litoral da província de Buenos Aires, na Argentina, foi provocado por um fenômeno conhecido como meteotsunami, também chamado de tsunami meteorológico. O episódio ocorreu na tarde de terça-feira (14) e atingiu praias de Mar del Plata, Santa Clara del Mar e Mar Chiquita.
Segundo especialistas ouvidos pela imprensa argentina, o fenômeno foi registrado por volta das 16h, em um dia de calor extremo, com temperaturas acima dos 38 °C, e grande presença de banhistas. O cenário contribuiu para a gravidade do impacto e para a necessidade de resgates em massa.
Oscilação brusca do nível do mar
Dados do marégrafo de Mar del Plata indicaram variações abruptas no nível do mar. Em poucos minutos, a água recuou cerca de 60 centímetros e, logo depois, avançou rapidamente, chegando a uma elevação de até um metro. Essa mudança súbita provocou a invasão violenta do mar sobre a faixa de areia.
De acordo com a meteorologista responsável pela análise do caso, essa oscilação foi determinante para o agravamento da situação, surpreendendo banhistas e equipes de salvamento.
Por que o fenômeno é chamado de meteotsunami
Diferentemente de tsunamis clássicos, causados por terremotos ou atividades geológicas no fundo do oceano, o meteotsunami tem origem na interação entre a atmosfera e o mar. No caso da costa argentina, não houve qualquer relação com abalos sísmicos.
A especialista explicou que a região não apresenta histórico ou condições geológicas propícias para tsunamis de grande magnitude. O que ocorreu foi uma mudança brusca na pressão atmosférica, que exerceu força sobre a superfície do mar e gerou uma onda. Ao alcançar áreas costeiras rasas, essa onda acabou se amplificando.
Condições que favoreceram o evento
A análise meteorológica aponta que uma frente fria avançava sobre o sul da província de Buenos Aires durante a tarde, provocando variações intensas de pressão atmosférica. Horas depois, por volta das 19h, a temperatura caiu cerca de 15 °C, confirmando a passagem do sistema.
Imagens de satélite também identificaram ondas de gravidade na atmosfera que entraram em ressonância com ondas longas do oceano. Essa combinação contribuiu para a elevação repentina do nível do mar ao se aproximar da costa.
Fenômeno raro e difícil de prever
Embora meteotsunamis ocorram com relativa frequência em diferentes partes do mundo, eles costumam passar despercebidos por provocarem variações pequenas no nível da água. Neste caso, a intensidade foi maior e coincidiu com fatores excepcionais, como maré extremamente baixa, calor intenso e grande concentração de pessoas no mar.
Especialistas alertam que se trata de um fenômeno difícil de prever, pois depende da ocorrência simultânea de diversas condições atmosféricas e oceânicas. Apesar de não terem o poder destrutivo de um tsunami tradicional, os meteotsunamis representam risco real quando surgem de forma súbita, como ocorreu no litoral argentino.
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