O PIX brasileiro está na mira dos EUA como uma “prática desleal” do governo, enquanto o UPI indiano, um sistema similar, mais antigo e robusto, não é alvo de investigação. A Índia também recebeu tarifas, mas por comprar petróleo russo. O PIX teve adoção mais rápida no Brasil (74%) por ter sido obrigatório para grandes bancos, enquanto a participação no UPI indiano foi voluntária, resultando em uma adoção mais lenta (25%).
O Unified Payments Interface (UPI) da Índia e o PIX do Brasil têm origens e características semelhantes, ambos sendo sistemas de pagamentos instantâneos desenvolvidos a partir de iniciativas governamentais. No entanto, os dois modelos estão enfrentando cenários distintos no contexto do tarifaço de Donald Trump. Enquanto o PIX brasileiro se tornou alvo de uma investigação comercial americana, o UPI da Índia, que é anterior e possui mais funcionalidades, segue fora do escrutínio dos Estados Unidos.
PIX na mira de Trump
O governo americano, por meio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), abriu uma investigação comercial contra o Brasil em meados de julho. No documento que detalha a apuração, o PIX é mencionado de forma indireta como uma das supostas “práticas desleais” que estariam sendo analisadas. O relatório do USTR se refere ao sistema como um “serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo” que poderia estar prejudicando empresas americanas do setor. A medida gerou reações de defesa da plataforma, incluindo comentários do prêmio Nobel Paul Krugman e manifestações do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad.
A Índia, por sua vez, também foi penalizada com uma tarifa adicional de 25% na última semana, o que elevou a alíquota de seus produtos para 50%, a mesma do Brasil. No entanto, a razão para a sanção foi a compra de petróleo da Rússia, e não o seu sistema de pagamentos.
Origens
O Unified Payments Interface (UPI) indiano foi lançado em 2016, quatro anos antes do PIX. O sistema foi parte de uma iniciativa mais ampla do governo indiano para promover a digitalização no país, o projeto “India Stack”. Ele foi desenvolvido por um consórcio de entidades financeiras (NPCI) por iniciativa do Banco Central da Índia. Hoje, o UPI se consolidou como o principal meio de pagamento na Índia, respondendo por 83% das transações digitais, com 500 milhões de usuários e mais de 18 bilhões de transações mensais.
Por ter sido lançado antes, o UPI já oferece soluções que estão sendo gradualmente incorporadas ao PIX, como a modalidade de pagamentos recorrentes, que existe na Índia desde 2020. Além disso, o sistema indiano conta com funcionalidades que ainda não existem no Brasil, como pagamentos offline e por comando de voz. A plataforma também já se expandiu internacionalmente, estando disponível em países como Butão, Nepal, Cingapura, Emirados Árabes Unidos, Sri Lanka e França.
A diferença entre PIX e UPI
Apesar das semelhanças na origem, a implementação dos dois projetos foi diferente. No Brasil, o PIX foi desenvolvido e mantido sob maior controle do Banco Central, com adesão obrigatória para todas as instituições financeiras com mais de 500 mil contas. Essa abordagem resultou em uma adoção mais rápida, atingindo quase 74% da população em três anos. Na Índia, a participação foi voluntária, o que resultou em uma adoção mais lenta, com 25% da população indiana usando o sistema em 2024.