O Banco Central irá padronizar o Pix Parcelado, permitindo que todas as instituições financeiras ofereçam o serviço, o que pode aumentar o poder de compra de brasileiros sem cartão de crédito. A nova modalidade funciona como um empréstimo, onde o cliente paga juros e parcela o valor, enquanto o lojista recebe a quantia à vista. O serviço é visto como uma alternativa mais barata aos empréstimos tradicionais.

O que é Pix parcelado? Serviço que promete mudar o poder de compra entre os brasileiros (Foto: Divina Epiphania/Shutterstock)
O que é Pix parcelado? Serviço que promete mudar o poder de compra entre os brasileiros (Foto: Divina Epiphania/Shutterstock)

O brasileiro já está mais do que acostumado com o Pix, serviço de sistema financeiro que já caiu nas graças e nos costumes de norte a sul do Brasil, facilitando as transações bancárias com pagamentos instantâneos. Mas, uma modalidade desse serviço que ainda é pouco utilizada irá sofrer uma padronização do Banco Central ainda em setembro de 2025, e será ofertado por todas as instituições financeiras, com a promessa de ajudar a população a ter mais poder de compra: o pix parcelado.

O pix parcelado, acima de tudo, permitirá que os brasileiros parcelem compras via Pix, mesmo sem possuir um cartão de crédito, serviço que 60 milhões de pessoas não têm acesso por terem alguma restrição financeira no nome. Então, exatamente para essa população, esse serviço pode mudar demais o consumo entre os brasileiros, trazendo uma alternativa aos empréstimos que sempre têm juros elevados.

(Foto: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock)

Mais detalhes do Pix parcelado

O Pix Parcelado funcionará como uma linha de crédito pré-aprovada pelo banco ou fintech, permitindo que o consumidor escolha o número de parcelas e visualize os juros antes de finalizar a operação. O valor das prestações é debitado na conta em data combinada, seja para compras em lojas físicas ou online. Para o lojista ou pessoa física que recebe o Pix, o valor chega na hora e integralmente — o risco de calote fica com o banco.

“Vem para fazer frente ao cartão de crédito, onde o lojista irá receber à vista, mas o cliente irá parcelar esse valor com a sua instituição financeira. Não são todas as instituições que oferecem esse serviço aos clientes até o momento, mas com essa padronização todos os bancos vão oferecer esse serviço, facilitando”, explicou o consultor financeiro e sócio diretor da F&F Assessoria Financeira, Rinaldo Luís Fusco.

Padronizado para ajudar também os lojistas

Alguns bancos já oferecem soluções parecidas, mas cada um com suas regras. O novo Pix Parcelado padroniza a experiência e traz mais segurança. A operação terá cobrança de juros, geralmente menores que o rotativo do cartão de crédito, mas superiores aos de financiamentos tradicionais. A taxa será informada no ato da compra, antes de fechar negócio.

“No momento que o cliente faz a compra online, a instituição já irá oferecer as duas opções: o Pix normal com débito em conta no mesmo momento ou de forma parcelada. Nesse caso, você escolhe quantas parcelas serão divididas e a taxa de juros oferecida”, disse o consultor, que ainda completou.

Para os lojistas, a nova função deve representar alívio nas taxas, ajudando especialmente pequenos comerciantes a driblar os custos das maquininhas e aumentar as vendas para quem não tem cartão ou limite disponível. O dinheiro cai à vista para o recebedor, enquanto o consumidor paga parcelado à instituição financeira.

“É uma linha de crédito muito rápida, não há a necessidade de conversar com o gerente nem nada. O próprio banco via sua inteligência artificial já automatiza isso, calculando os juros para cada pessoa e de uma forma que também seja rentável à instituição. Para o varejista também há vantagens, pois com isso diminui os custos dos cartões de crédito e débito, que são passados via maquininha”.

(Foto: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock)

Vai ajudar no poder de compra das classes mais baixas?

Segundo dados de uma pesquisa recente, mais de 60% dos entrevistados já demonstravam interesse em usar o Pix Parcelado antes mesmo do lançamento oficial. O público jovem, de 18 a 29 anos, lidera essa procura, assim como quem recebe até dois salários mínimos. A expectativa é que a novidade seja bastante utilizada para compras de maior valor, como eletrônicos e eletrodomésticos, ocupando o espaço dos cartões de crédito.

“No fim das contas, para o consumidor pode ser um juros mais barato do que no cartão de crédito. Além da agilidade e flexibilidade. Mas, a ideia para o consumidor é sempre buscar a melhor alternativa para pagar o menor juros possível. Caso não consiga pagar à vista. Por isso, o Pix parcelado é mais uma alternativa, trazendo mais concorrência ao mercado financeiro“, completou.

No entanto, especialistas alertam para o risco de endividamento, já que o parcelamento pode ser visto como uma renda extra e gerar erros financeiros comuns ao uso do cartão de crédito. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram que 78,5% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito o principal vilão em 87% desses casos.

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