A mãe e o padrasto de um menino de 4 anos, morto em 17 de agosto em Florianópolis, foram indiciados por homicídio qualificado. A investigação revelou que o padrasto pesquisou em um aplicativo de IA: “O que acontece se ficar enforcando muito uma criança?”. O laudo apontou traumatismo abdominal e maus-tratos recorrentes, com conhecimento da mãe. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.

Foto: reprodução/redes sociais
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Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (29/08) pela Polícia Federal (PF), Receita Federal e Ministério Público de São Paulo (MPSP) expôs o que as autoridades classificam como a maior investida contra o crime organizado na história do país. A ação, que mobilizou 1,4 mil agentes e teve como alvos 350 pessoas e empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), desmantelou um esquema bilionário de adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Segundo a investigação, o PCC movimentou R$ 140 bilhões entre 2020 e 2024, infiltrando-se profundamente na economia real e no mercado financeiro. O esquema envolvia desde usinas de cana e refinarias até postos de gasolina, fintechs e fundos de investimento sediados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, o coração financeiro do país.

“Estamos diante de uma invasão do crime organizado na economia real. A fronteira entre o que é lícito e ilícito ficou cada vez mais difícil de identificar”, declarou Andrea Chaves, subsecretária de fiscalização da Receita.

O alcance da operação

A ação, que uniu as operações Quasar e Tank da PF com a Carbono Oculto do MPSP, cumpriu mais de 400 mandados e resultou no bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. Ao todo, foram apreendidos:

  • 141 veículos de luxo

  • 192 imóveis

  • 2 embarcações

  • Suspensão imediata de 21 fundos de investimento

  • Bloqueio de recursos de 41 pessoas físicas e 255 empresas

Dos 14 mandados de prisão preventiva, apenas seis suspeitos foram localizados. A PF investiga se houve vazamento de informações.

Como o PCC infiltrou a cadeia dos combustíveis

A investigação revelou que a facção criminosa domina toda a cadeia de produção e distribuição de combustíveis no país. O esquema incluía:

  • Compra de usinas, fazendas e postos por meio de ameaças e pagamentos à vista

  • Importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR)

  • Adulteração da gasolina e do etanol, com índices de até 90% de metanol — quando o máximo permitido pela ANP é 0,5%

  • Fraudes fiscais com emissão de notas frias para inflar patrimônios

  • Venda de combustível adulterado e abastecimento com volume menor do que o indicado na bomba

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), mais de mil postos de combustíveis foram identificados como parte da fraude, mas a estimativa do setor é de que, só em São Paulo, ao menos 2,5 mil estabelecimentos foram cooptados — 30% de todo o mercado do estado.

O braço financeiro: fintechs e fundos da Faria Lima

Parte essencial do esquema era ocultar os bilhões movimentados. Para isso, o PCC utilizava fintechs e fundos de investimento. Só com o dinheiro da adulteração de combustíveis, foram R$ 52 bilhões movimentados entre 2020 e 2024.

As fintechs criavam contas-bolsão, onde grandes quantias eram misturadas com valores de clientes legítimos, dificultando o rastreamento. Além disso, ao menos 40 fundos de investimento foram criados para adquirir empresas, usinas e imóveis.

Entre as instituições citadas na investigação estão:

  • Reag – uma das maiores gestoras do Brasil, listada na B3

  • Trustee – gestora responsável por fundos suspeitos

  • Zurich Fundo de Investimento – usado para aquisição de imóveis

  • Banco Genial – apontado como intermediário de transações

  • BK Bank – descrito pela PF como o “braço financeiro do PCC”

O Banco Genial e a Reag afirmaram estar colaborando com as autoridades, enquanto a Trustee renunciou à gestão de fundos investigados.

Nova regulamentação para fintechs

Diante da dimensão do esquema, a Receita Federal anunciou que editará uma nova instrução normativa que obrigará fintechs a apresentar a declaração e-Financeira, documento que detalha movimentações de alto valor.

“As fintechs têm sido utilizadas como canais de lavagem de dinheiro. Vamos fechar esse vácuo regulatório”, afirmou Andrea Chaves.

Próximos passos

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que os resultados encontrados até agora representam “apenas a ponta do iceberg”. A análise do material apreendido pode revelar novos grupos, empresas e até autoridades envolvidas no esquema.

A Receita Federal calcula que, até o momento, o esquema gerou R$ 7,6 bilhões em sonegação fiscal.

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