O padre Danilo César, que ironizou a fé de Preta Gil e seus familiares após a morte da cantora, poderá ser impedido de celebrar missas caso seja condenado por intolerância e racismo religioso. A família de Gilberto Gil pede R$ 370 mil por danos morais.

Padre pode ser impedido de presidir práticas religiosas (Foto: Diocese de Campina Grande / Studio Foto Braga)
Padre pode ser impedido de presidir práticas religiosas (Foto: Diocese de Campina Grande / Studio Foto Braga)

O padre Danilo César, que ironizou a fé e a religião de matriz africana da cantora Preta Gil e de seus familiares, após a morte da artista, poderá ser proibido de presidir novas práticas religiosas.

A desautorização se dará caso ele seja condenado pelos crimes de intolerância e racismo religioso contra a família de Gilberto Gil, que na segunda-feira (13) alegou entrar com processo contra o religioso, solicitando indenização no valor de R$ 370 mil por danos morais.

Lei Caó

Segundo o advogado e presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB), Alan Pitombo, o padre poderá ser autuado na Lei 7.716/89, a Lei Caó, que pune discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Desde 2023, casos cometidos no ambiente online é tratado com um agravante que pode culminar em até cinco anos de reclusão.

“Outro fator importante é que o padre cometeu o crime durante uma prática religiosa, o que também pode aumentar a pena e causar uma proibição da prática religiosa”, explicou Pitombo.

Relembre o caso

As ofensas do padre aconteceram uma semana após a morte de Preta, quando Danilo questionou onde estariam os orixás, divindades centrais nas religiões de matriz africana como Umbanda e Candomblé, do cantor Gilberto Gil, que havia feito uma oração pedindo saúde à filha.

“Deus sabe o que faz. Se for para morrer, vai morrer […] Qual o nome do pai de Preta Gil? Gilberto. [Ele] fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás, que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse o religioso, em live transmitida no YouTube. Mais tarde, o vídeo foi tirado do ar.

O caso aconteceu na Paróquia São José, em Areial, cidade no interior da Paraíba, no dia 27 de julho.

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