Pai de adolescente morto na operação policial no Rio contou que tentava afastar o filho do crime e se disse assustado com o envolvimento dele no tráfico e nas redes sociais.

Pai de integrante do CV conhecido como Diguerra lamentou morte do filho (Foto: Reprodução)
Pai de integrante do CV conhecido como Diguerra lamentou morte do filho (Foto: Reprodução)

O pai de Michel Mendes Peçanha, apelidado de “Diguerra”, de 14 anos, comentou a morte do filho durante a megaoperação policial na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 28 de outubro. A entrevista foi dada à BBC Brasil.

Ele revelou que sabia da participação do filho na facção Comando Vermelho (CV), e que o jovem teria se iludido ao escolher seguir o caminho ‘fácil’.

“Ele se iludiu, entendeu? (…) Quando eu fui à rede social dele fiquei totalmente assustado. Eu falei a ele: ‘Filho, para que você tá tirando foto com arma?’ A rede social influencia muito na mente deles (…) eles acham que tudo é com facilidade”, disse.

“Eu estava trabalhando na mente dele, trazendo ele para mim, fazendo o máximo como um pai que ama o seu filho para ele sair dessa situação. Mas quando eu pensava que ele estava em casa, mas ele estava na rua”, completou o pai, contando que tentava tirar o jovem do crime.

Pai de adolescente comenta morte do filho

O pai também disse como ficou sabendo da Operação Contenção, nos complexos do Alemão e da Penha, na manhã de terça-feira (28).

“Sempre, antes de eu sair para o serviço, eu ligo a televisão. Quando a televisão falou da situação, eu liguei para ele. Justamente na terça-feira de manhã, era 8h30 da manhã. Quando eu ia falar com ele, de repente, ele desligou rápido e o contato sumiu. Nesse momento eu tomei o choque. Foi nesse momento que eu já fiquei em aflição”, contou.

Mais tarde, o homem precisou ir ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo do jovem. “Vi o meu filho com um furo na cabeça. Eu tô à base do remédio, eu tô tomando remédio para dormir”, lamentou.

 “Eu não podia nesse momento, como as pessoas queriam, como as pessoas imaginavam, colocar o meu filho como uma vítima. Mesmo ele tendo 14 anos. Porque a vida é feita de escolhas. Que eles [jovens] repensem a vida deles. Se eles realmente amam o seu pai, se eles realmente amam sua mãe, eles têm a chance de repensar a vida deles”, declarou o pai.

Operação Contenção

Considerada a mais letal operação do Rio de Janeiro, a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha deixou 121 mortos, sendo 117 suspeitos de integrarem a organização criminosa Comando Vermelho (CV).

Os outros quatro mortos eram agentes de polícia. Marcus Vinícius Cardoso, de 51 anos, e Rodrigo Veloso Cabral, de 34, eram policiais civis, enquanto Cleiton Serafim Gonçalves, de 40, e Heber Carvalho da Fonseca, de 39, eram militares do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

A operação apreendeu 118 armas, sendo 91 fuzis, além de 14 explosivos, munições e drogas. O número de óbitos superou o Massacre do Carandiru, que aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, e terminou com a morte de 111 detentos.

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