Cidade econômica do interior de São Paulo, vive o medo após uma operação da Polícia Federal revelar que a região é o epicentro de um esquema bilionário do PCC. A facção utiliza usinas de cana-de-açúcar para lavagem de dinheiro e fraude em combustíveis, gerando apreensão entre empresários e a população.

 Foto: Foto: Tadeu Fessel/ Divulgação Unica
Foto: Foto: Tadeu Fessel/ Divulgação Unica

A cidade de Ribeirão Preto, conhecida pela prosperidade econômica, vive sob o receio de um cenário distinto. Localizada, a 315 quilômetros de São Paulo, é apontada como epicentro de um vasto esquema criminoso liderado pela maior facção do país, o Primeiro Comando da Capital(PCC). O grupo, segundo o Ministério Público de São Paulo, transformou o município em uma base para fraudes bilionárias que envolvem a produção e a distribuição de combustíveis.

Segundo dados, a região concentra 58 usinas de cana-de-açúcar, por onde passam cifras bilionárias do setor sucroenergético. Para as autoridades, o montante expressivo atraiu a organização criminosa, que, por meio de um sofisticado esquema, atuava na venda de etanol adulterado, fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, utilizando até mesmo fintechs para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

A mecânica da fraude

A operação criminosa, conforme o MP, iniciava-se no campo. O grupo investia pesado no arrendamento de terras, pagando valores muito acima do mercado. A prática, pouco comum no setor, gerou uma perda de fornecedores para as usinas honestas.

Produtores rurais observavam que algumas usinas observavam que algumas usinas chegavam a pagar entre 15% e 20% a mais pelo quilo de cana, em dinheiro vivo. A conta não fechava devido o custo elevado de produção de forma insustentável. Denúncias anônimas de empresários do setor foram essenciais para alertar as autoridades.

Lei do Silêncio

A repercussão tomou conta entre os produtores e empresários da região. No entanto, em público, impera uma espécie de “lei do silêncio”. Um político e empresário da região foi procurado pela reportagem do jornal ‘O Globo’, mas, disse que não falaria sobre o assunto, e mesmo que soubesse algo, não falaria.

O temor entre produtores e empresários é uma retaliação por parte da facção, incluindo incêndios criminosos, como os que aconteceram no ano passado.

Incêndios

Em 2024, a região viveu o pior dia de queimadas de sua história. Segundo dados informados pelo Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foram registrados mais de 1.800 focos de incêndio na cidade. Na época as investigações resultaram na condenação de dois homens, um deles afirmou ser integrante do PCC.

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