Pesquisas recentes colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula em cenários de segundo turno, acendendo alerta no PT. Aliados do presidente articulam estratégia para desgastar o adversário e apostam em medidas econômicas e sociais para recuperar a popularidade do governo.
Pesquisas de opinião divulgadas nesta semana acenderam um alerta no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os desafios que o petista enfrentará na busca pela reeleição em outubro. Levantamentos da Paraná Pesquisas e da AtlasIntel apontaram o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numericamente à frente do atual titular do Executivo em simulações para o segundo turno.
Segundo o Metrópoles, as sondagens consolidam um movimento que já aparecia em pesquisas anteriores, nas quais o candidato bolsonarista vinha ganhando fôlego. Diante do cenário, aliados do presidente passaram a estruturar uma reação política e eleitoral. Dirigentes do PT defendem uma ofensiva para desgastar a imagem de Flávio, enquanto apostam, paralelamente, no fortalecimento de pautas positivas para impulsionar a popularidade de Lula.
A estratégia foi defendida publicamente pelo presidente do partido, Edinho Silva, durante reunião da corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), nesta sexta-feira (27). O dirigente reconheceu dificuldades da sigla em dialogar com parte da sociedade, o que, segundo ele, favorece o crescimento do adversário.
“O Flávio Bolsonaro vira o catalisador de um sentimento antissistema e organiza rapidamente a base da direita e da ultradireita no Brasil”, afirmou Edinho. Ele também destacou a atuação jurídica e nas redes sociais como diferenciais da campanha adversária.
Nos bastidores, aliados do presidente defendem uma campanha intensa para enfraquecer Flávio Bolsonaro. A estratégia inclui explorar supostas conexões com o Centrão e com milícias do Rio de Janeiro, além de resgatar episódios como o caso das “rachadinhas”, relacionado ao período em que o senador foi deputado estadual. A mobilização da militância, tanto nas ruas quanto no ambiente digital, também está no radar.
Ao mesmo tempo, auxiliares do Planalto apostam em medidas de impacto direto no cotidiano da população para recuperar a popularidade do governo antes da eleição. Entre as propostas prioritárias estão o fim da escala 6×1, a implementação da tarifa zero no transporte público e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
A isenção, que entrou em vigor em 1º de janeiro, ainda não apresentou efeitos significativos nas pesquisas de opinião. Para o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, o impacto deve aparecer nos próximos meses, à medida que a população sinta alívio no orçamento.
Outra proposta em análise pelo governo é a criação de um modelo apelidado de “SUS do Transporte Público”, com o objetivo de recompor o financiamento do setor e viabilizar a gratuidade universal no sistema de mobilidade urbana.
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