A Polícia Federal já tem pronta uma cela especial para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Superintendência da PF, em Brasília. O espaço, que conta com cama, mesa, banheiro reservado e TV, foi montado há mais de três meses e pode ser usado caso o STF determine sua prisão em regime fechado. A medida também vale para outras autoridades. Bolsonaro foi indiciado pela PF por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
A Polícia Federal (PF) já tem uma cela especial pronta para o caso de eventual prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O espaço, localizado no térreo da Superintendência da PF no Distrito Federal, em Brasília, foi estruturado e equipado para custódia individual, com cama, mesa de trabalho, cadeira, televisão e banheiro privativo.
Segundo informações da CNN Brasil, a cela foi montada há mais de três meses e pode ser usada não apenas por Bolsonaro, mas por qualquer autoridade que venha a ser presa. Internamente, o local vem sendo chamado por policiais de “cela de Bolsonaro”.
O ambiente é semelhante ao que abrigou o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2018 e 2019, na Superintendência da PF em Curitiba, e ao espaço onde Fernando Collor de Mello também ficou temporariamente detido, em Maceió (AL).
Três possibilidades para custódia
De acordo com integrantes da PF, ainda não há decisão sobre onde Bolsonaro poderia cumprir uma eventual prisão, caso seja decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as opções estudadas estão:
Cela na Superintendência da PF, já pronta;
Prisão em batalhão militar, considerando que Bolsonaro é ex-capitão do Exército;
Custódia em unidade da Polícia Militar do DF, como ocorreu com o ex-ministro Anderson Torres.
Se a escolha recair sobre a PF, o espaço reservado já está totalmente preparado para receber o ex-presidente.
Indiciamento e acusações
A preparação do local ganhou ainda mais repercussão após a PF indiciar Bolsonaro na última quarta-feira (20) por coação no curso de processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
A investigação aponta que Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teriam atuado juntos para pressionar os Estados Unidos a sancionar o Brasil e influenciar a Justiça, numa tentativa de interromper processos e julgamentos relacionados ao suposto plano de golpe de Estado no qual o ex-presidente é réu.
Cenário político em tensão
A possibilidade de uma prisão em regime fechado aumentou a tensão no meio político e no entorno de Bolsonaro. Assessores próximos afirmam que o ex-presidente monitora cada movimento do STF e avalia, com sua defesa, as estratégias jurídicas para evitar a detenção.
Enquanto isso, opositores veem a cela especial como mais um passo concreto rumo a uma possível prisão, caso o Supremo entenda que as provas contra Bolsonaro justificam a medida extrema.
