A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (21) a 2ª fase da Operação Oasis 14, que desarticulou uma quadrilha formada por funcionários da Caixa Econômica Federal e bancos privados, suspeita de fraudar o sistema financeiro e programas sociais por 20 anos. O prejuízo ultrapassa R$ 110 milhões, com uso de 330 empresas de fachada e laranjas para obter empréstimos irregulares.
A Polícia Federal (PF) revelou que uma quadrilha composta por funcionários da Caixa Econômica Federal e bancos privados aplicou fraudes de alta complexidade contra o sistema financeiro nacional e programas sociais por cerca de 20 anos. A 2ª fase da Operação Oasis 14 foi deflagrada nesta quinta-feira (21), com a participação de 140 agentes federais, que cumpriram 26 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão em oito cidades do Rio de Janeiro e na capital paulista.
De acordo com o delegado Wanderson Pinheiro da Silva, chefe da Delegacia de Polícia Federal em Niterói, a organização criminosa mantinha o mesmo modus operandi há duas décadas. O grupo abria novas empresas ou adquiria empresas inativas, cooptava pessoas de baixa renda para figurarem como sócias de fachada e utilizava imóveis de integrantes para simular sedes empresariais legítimas.
Com as empresas de fachada criadas, o esquema seguia com a abertura de contas bancárias e transferências simuladas entre as companhias, para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras. Em seguida, os criminosos tomavam empréstimos e financiamentos de linhas específicas de crédito, mantinham os pagamentos regulares por um período e, posteriormente, “estouravam” as empresas, deixando grandes prejuízos para os bancos.
As investigações, iniciadas em maio de 2024, apontam que o grupo utilizava mais de 330 empresas de fachada, com a participação de laranjas e até sócios fantasmas. O esquema contou com o envolvimento direto de seis funcionários da Caixa Econômica Federal e quatro de bancos privados, que facilitavam a abertura de contas e a liberação de empréstimos fraudulentos.
O prejuízo estimado chega a R$ 110 milhões. A PF informou que as investigações continuarão até que todos os envolvidos sejam identificados e responsabilizados.
Em nota, a Caixa Econômica Federal declarou que, ao identificar indícios de ilícitos, atua em conjunto com os órgãos de segurança pública e que tem aprimorado os critérios de segurança para acompanhar as novas formas de atuação de fraudadores. O banco também afirmou que monitora continuamente suas transações financeiras para detectar possíveis irregularidades.
