Polícia Federal cumpre 66 mandados em nova fase da Operação Sem Desconto e investiga o Sindicato Nacional dos Aposentados, presidido por Milton Baptista e com Frei Chico, irmão de Lula, como vice. A ação apura fraudes e desvio de milhões em consignados do INSS.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em consignados do INSS conhecido como “Farra do INSS”. Um dos alvos é o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), entidade que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agentes da PF cumprem 66 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados de São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Distrito Federal. Em São Paulo, as buscas incluem o endereço do Sindnapi.
Segundo a corporação, o objetivo da operação é aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e ocultação de patrimônio.
A ação é um desdobramento da primeira fase da Sem Desconto, deflagrada em abril, após reportagens do Metrópoles revelarem como o grupo lucrava com descontos indevidos nos benefícios de aposentados.
Movimentações suspeitas e comissões milionárias
De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o sindicato usou “artifícios para burlar a identificação da origem e do destino dos valores” envolvidos no esquema.
Investigações apontam que dirigentes do Sindnapi recebiam comissões toda vez que um aposentado tinha seu benefício descontado pela entidade. As comissões podem ter somado pelo menos R$ 4,1 milhões, segundo apuração do Metrópoles.
Entre os supostos beneficiários estão a esposa do presidente do sindicato, Milton “Cavalo” Baptista de Souza, e o marido da coordenadora jurídica da entidade, a advogada Tonia Andrea Inocentini Galleti.
Milton, que preside o sindicato, deve prestar depoimento à CPMI do INSS ainda nesta quinta-feira.
A PF segue analisando documentos, transações financeiras e eventuais ligações políticas ou administrativas que possam comprovar o envolvimento de dirigentes do sindicato nas fraudes.
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