Antes de embarcar na história de Monique Silveira, é preciso entender o que faz um Imediato da Marinha Mercante, uma das funções mais estratégicas e exigentes do universo marítimo. O Imediato é o segundo na hierarquia de um navio, subordinado apenas ao comandante. É ele quem coordena as operações diárias a bordo, supervisiona a tripulação, controla o carregamento e descarregamento de cargas, mantém a disciplina, fiscaliza a manutenção dos equipamentos e garante a segurança da navegação.
Antes de embarcar na história de Monique Silveira, é preciso entender o que faz um imediato da Marinha Mercante, uma das funções mais estratégicas e exigentes do universo marítimo. O imediato é o segundo na hierarquia de um navio, subordinado apenas ao comandante.
É ele quem coordena as operações diárias a bordo, supervisiona a tripulação, controla o carregamento e descarregamento de cargas, mantém a disciplina, fiscaliza a manutenção dos equipamentos e garante a segurança da navegação.
Em outras palavras, o imediato é o “cérebro operacional” de um navio. Sua rotina envolve decisões técnicas de alta responsabilidade, cálculos de rota, controle de risco e atenção constante a fatores como clima, correnteza e posicionamento da embarcação. É uma função que exige formação especializada, muitas vezes obtida em academias navais e cursos de aperfeiçoamento, além de uma capacidade psicológica admirável para lidar com o confinamento e a distância da família.
E é nesse universo de aço, marés e disciplina que se destaca Monique Silveira, conhecida nas redes como a “Pilota Nômade”. Jovem, determinada e dona de um olhar sereno sobre as adversidades, ela desafia as convenções de um setor ainda fortemente masculino e oferece um retrato raro — e inspirador — da vida no mar. Ela conta atualmente com mais de 250 mil seguidores nas redes sociais.
A mulher que comanda o tempo
Monique vive o que muitos chamariam de sonho moderno: trabalha apenas metade do ano, tem estabilidade financeira e liberdade geográfica. “Os prós são o salário e a parte de trabalhar só seis meses do ano, né? Só metade do ano”, explica.
Durante o embarque, dedica-se integralmente ao navio e às responsabilidades que vêm com o cargo. Mas na outra metade do ano, é dona do próprio tempo. “Posso morar em qualquer cidade, qualquer país, recebendo exatamente o mesmo salário”, conta.
Essa flexibilidade é um dos maiores atrativos da profissão. “A gente trabalha num regime que permite viver intensamente o mar e, depois, viver intensamente a terra”, resume. Para Monique, essa alternância é o equilíbrio perfeito entre dever e liberdade.
O preço do confinamento
Nem tudo, porém, são horizontes tranquilos. A vida embarcada impõe um desafio emocional que poucos imaginam. “O mais difícil é passar datas comemorativas longe da tua família, longe das pessoas que tu mais ama”, admite.
O confinamento amplifica emoções e exige uma força interior constante. “Tudo fica mais intenso. As relações, os sentimentos, até as pequenas coisas”, diz. Há também o desgaste das longas horas de trabalho e da burocracia — a “papelada infinita”, como ela define.
Ainda assim, Monique encara tudo com filosofia. “O ser humano se adapta a absolutamente tudo, tudo mesmo”, afirma. E é essa adaptabilidade que, segundo ela, diferencia os que sobrevivem e prosperam na vida marítima.
Risco iminente: o mar nunca dorme
Ser imediato é viver em estado de alerta. “Você tem que estar muito, muito atento mesmo”, enfatiza.
Entre as tarefas mais delicadas está o sistema de posicionamento dinâmico, que mantém o navio estável e evita acidentes com outras embarcações. “Uma perda de posição pode causar abarroamento ou colisão”, explica.
À noite, o desafio se intensifica. “Durante a navegação noturna, é preciso atenção total com os pesqueiros e outras embarcações. Uma distração pode custar caro.”
Outro ponto sensível é o controle ambiental. Monique é categórica: “Não pode haver derramamento de óleo diesel na água, de jeito nenhum.” Uma falha, por mínima que seja, pode ter impacto ambiental e financeiro enorme — e recair diretamente sobre o comando.
Entre o preconceito e o respeito
Ao escolher a carreira marítima, Monique entrou em um território historicamente masculino. “Sim, já sofri preconceito no início da carreira por ser mulher, por ser bonita num ambiente masculino”, revela.
Mas sua resposta ao machismo foi profissionalismo e firmeza. “À medida que tu vai te posicionando, as pessoas passam a te respeitar e te enxergam como a profissional que tu é”, afirma.
Para ela, conquistar respeito é uma questão de postura. “Vai muito da forma como a mulher se impõe, de como ela se coloca.” Hoje, Monique é reconhecida não apenas pelo cargo que ocupa, mas pela autoridade técnica e pela calma com que lida com pressões que intimidariam muitos marinheiros experientes.
Crescimento em movimento
Durante os embarques, as horas livres são escassas, mas preciosas. E Monique as transforma em investimento pessoal. “Eu tô sempre estudando alguma coisa”, diz.
Com as redes sociais como aliado, ela baixa conteúdos sobre investimentos, marketing digital, marketing de influência e moda — temas que alimentam sua curiosidade e seu senso de propósito. “Gosto de estar sempre crescendo de alguma forma. A gente tem que usar o tempo a bordo pra se desenvolver.”
Entre estudos e descanso, ela tenta manter o equilíbrio mental. “Eu durmo bastante quando posso, mas também busco preencher meu tempo com aprendizado.” Sobre a saudade, é pragmática: “A gente se acostuma. Eu vivo pro barco quando tô nele, mas quando tô na minha folga, vivo pras pessoas que eu mais amo.”
O orgulho que vem de casa
O apoio familiar foi — e continua sendo — um dos pilares da trajetória de Monique. “No começo, meus pais acharam a profissão muito diferente, mas gostaram bastante”, conta. Hoje, eles acompanham com orgulho cada conquista.
“Eles sentem muito orgulho da profissional que eu me tornei”, diz emocionada. Após quase uma década embarcando, a família já se adaptou à rotina de longas ausências e à certeza de que Monique está onde sempre quis estar. “Eles adoram minha profissão.”
Um plano B de mares digitais
Apesar de bem-sucedida na Marinha Mercante, Monique mantém um plano B tão ousado quanto seu primeiro: o marketing digital. “Se eu não fosse imediato, seria youtuber de viagens, influencer e trabalharia com marketing digital”, afirma.
Para ela, o mundo online é um terreno fértil. “Eu acho que é um oceano sem fim para ganhar dinheiro e ajudar outras pessoas”, explica. O projeto não é apenas uma alternativa, mas uma continuação de sua essência nômade: liberdade, autonomia e propósito.
Uma vida em constante navegação
A história de Monique Silveira é sobre mais do que uma carreira — é sobre navegar a própria vida com coragem, estratégia e autenticidade. Entre ondas, portos e despedidas, ela aprendeu que liberdade não é ausência de rotina, mas a capacidade de escolher onde e como viver.
A “Pilota Nômade” não apenas comanda navios — comanda o próprio destino. E prova, a cada viagem, que o verdadeiro mar a ser explorado está dentro de quem se permite ir além da costa.
Leia também:
Entenda doença que fez Thais Carla desmaiar
Virginia mostra montagem de decoração de Natal da mansão em Goiânia: ‘Coisa linda’
João Guilherme fala sobre relacionamento do irmão Zé Felipe com Ana Castela
