A investigação sobre o desaparecimento de três integrantes da família Aguiar, ocorrido há mais de dois meses em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, concluiu que a publicação nas redes sociais de Silvana Germann de Aguiar (48), anunciando um suposto acidente de trânsito foi feita pelo principal suspeito do caso. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o autor da postagem teria sido o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro da vítima.

Foto: Polícia Civil
Foto: Polícia Civil

A investigação sobre o desaparecimento de três integrantes da família Aguiar, ocorrido há mais de dois meses em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, concluiu que a publicação nas redes sociais de Silvana Germann de Aguiar (48), anunciando um suposto acidente de trânsito foi feita pelo principal suspeito do caso. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o autor da postagem teria sido o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro da vítima.

Postagem teria sido tentativa de despistar desaparecimento

De acordo com o delegado Anderson Spier, responsável pelo inquérito, a perícia apontou que Cristiano estava com o celular de Silvana após o desaparecimento da mulher. A partir disso, os investigadores concluíram que ele publicou mensagens no perfil da vítima para simular que ela estaria viva e viajando.

Na publicação feita em 24 de janeiro, o perfil de Silvana informou que ela teria sofrido um acidente de trânsito quando voltava de Gramado, na Serra Gaúcha. A postagem dizia ainda que ela ficaria sem sinal por algumas horas. No dia seguinte, uma nova mensagem agradecia as orações e afirmava que a recuperação estava em andamento. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu. A análise técnica do celular indicou que o aparelho nunca esteve na cidade mencionada.

Desaparecimento envolve três pessoas da mesma família

Além de Silvana, também desapareceram seus pais, Isail Aguiar (69), e Dalmira Aguiar (70). Eles não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. A principal linha de investigação aponta para feminicídio no caso de Silvana, além de duplo homicídio contra os pais dela e ocultação de cadáver. Silvana, inclusive, já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio registrada no Rio Grande do Sul em 2026.

Celular da vítima foi encontrado escondido

O celular de Silvana foi localizado no início de fevereiro em um terreno baldio próximo ao mercado da família. O aparelho estava enrolado em um pano preto e escondido debaixo de uma pedra. Segundo a polícia, a câmera do celular estava coberta com fita isolante e não foram encontradas impressões digitais. Os investigadores afirmam que o suspeito teria levado o aparelho para o trabalho em Canoas após o desaparecimento.

Suspeito está preso e polícia conclui cronologia do crime

Cristiano Domingues Francisco está preso temporariamente desde 10 de fevereiro. O policial militar e Silvana tinham um filho de 9 anos. De acordo com o delegado Anderson Spier, a investigação já conseguiu reconstruir a cronologia dos acontecimentos dos dias 24 e 25 de janeiro e descartar o álibi apresentado pelo suspeito.

Inicialmente, Cristiano afirmou que estava jantando com um amigo e jogando videogame na noite do desaparecimento. Entretanto, os investigadores dizem ter comprovado que ele não esteve nos locais mencionados.

Motivação pode envolver disputa familiar e patrimônio

A polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por conflitos entre o ex-casal relacionados à criação do filho. Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não respeitava restrições alimentares da criança. Há também indícios de que ela planejava procurar um advogado para tratar de questões relacionadas à guarda.

Outra linha de apuração envolve o patrimônio da família, que possuía imóveis e outras propriedades. Em caso de morte de Silvana e dos pais, os bens passariam a integrar a herança do neto. As buscas pelos corpos seguem sendo realizadas por equipes do Corpo de Bombeiros Militar e da Polícia Civil, com o auxílio de cães farejadores. O inquérito policial está na fase final e a expectativa é que a polícia peça a prisão preventiva do suspeito nas próximas semanas.

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